ANTT republica tabela de frete e inclui pedágio no cálculo do preço mínimo do transporte

Leia em 3min 30s

A Agência Nacional de Transporte Terrestres (ANTT) restabeleceu a vigência da resolução de julho deste ano que fixou novas regras para o cálculo do frete mínimo de transporte de cargas. A resolução publicada na semana passada, no entanto, traz algumas alterações com relação ao texto de julho.

 

O frete é o preço pago pelo transporte de cargas. A tabela instituída pela ANTT é apenas para o transporte rodoviário. O frete varia de acordo com o produto transportado, com o trajeto realizado e com as condições enfrentadas pelo motorista para fazer o serviço.

 

A principal alteração é a obrigatoriedade de adicionar o custo com pedágio ao valor mínimo do frete que deve ser pago ao caminhoneiro pelo transporte de cargas. “O valor do pedágio, quando houver, deverá ser obrigatoriamente acrescido aos pisos mínimos”, afirma a resolução aprovada pela diretoria da ANTT.

 

O novo texto também prevê que o valor do frete a ser pago ao caminhoneiro deve considerar a negociação com relação ao lucro dele, despesas relacionadas ao uso de contêineres, por exemplo, e gastos com itens como alimentação, pernoite, tributos e taxas. 

Um dos pontos criticados pelos caminhoneiros era o fato de a tabela não incluir expressamente, no cálculo do frete mínimo, a remuneração do caminhoneiro.

 

A resolução de julho prevê que 11 categorias de cargas serão usadas no cálculo do frete mínimo e amplia os itens considerados no cálculo. Além da distância percorrida, o cálculo do frete mínimo também passou a considerar o tempo de carga e descarga do caminhão, custo com depreciação do veículo, entre outros.

 

O texto foi alvo de muitas críticas por parte dos caminhoneiros o que levou o governo a suspender a aplicação da tabela e a abrir uma nova rodada de negociação com a categoria. 

A tabela de fretes foi criada no ano passado pelo governo Michel Temer, após a greve dos caminhoneiros que bloqueou estradas e comprometeu o abastecimento de combustível, de medicamentos e de alimentos em todo o Brasil. O tabelamento era uma das reivindicações da categoria.

 

O que mudou

 

Saiba o que mudou das regras publicadas em julho para as que agora estão em vigor:

 

Resolução de julho

 

·         lucro, pedágio, valores relacionados às movimentações logísticas, despesas de administração, alimentação, tributos e taxas não integravam o cálculo do piso mínimo;

·         lucro, valores relacionados às movimentações logísticas, despesas de administração, alimentação, pernoite, tributos e taxas poderiam ser incluídos mediante acordo entre as partes;

·         o texto só incluía que o pagamento do pedágio deveria ser realizado na forma da lei que criou o vale-pedágio, segundo a qual o pagamento de pedágio, por veículos de carga, passa a ser de responsabilidade do embarcador.

 

Resolução em vigor

 

·         para definir o valor final do frete deverão ser negociados os valores do lucro, valores relacionados às movimentações logísticas, despesas de administração, alimentação, pernoite tributos e taxas;

·         o texto cita de forma expressa que o valor do pedágio, quando houver, deverá ser obrigatoriamente acrescido aos pisos mínimo cobrados pelo transporte.

 

Caminhoneiros

 

Wallace Costa Landim, conhecido como Chorão, é um dos caminhoneiros que conduziram a greve de 2018. Ele afirmou que as mudanças incluídas na resolução atendem de forma paliativa as demandas da categoria e que, agora, está "de olho" na publicação do reajuste da tabela previsto para janeiro.

 

Segundo Landim, com o texto antigo muitos embarcadores acabavam maquiando o valor do pedágio dizendo que estava incluso no frete. 

Agora, com a determinação de que o pedágio deve compor o piso, o valor do pedágio deve estar expressamente descrito no cálculo do frete mínimo. 

O caminhoneiro afirma que o maior desafio agora é fazer com que a tabela seja cumprida.

 

Fonte: G1 – Economia

 

 


Veja também

4,8 milhões de desempregados buscam trabalho há pelo menos 1 ano

Dados divulgados nesta terça-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra...

Veja mais
Desemprego fica estável no RJ, mas ainda atinge cerca de 1,3 milhão de pessoas, diz IBGE

O Rio de Janeiro encerrou o terceiro trimestre deste ano com 1,287 milhão de pessoas desempregadas, informou o In...

Veja mais
SP é único estado com queda do desemprego no 3º trimestre, diz IBGE

O estado de São Paulo foi a única unidade da federação a registrar queda na taxa de desempre...

Veja mais
Mais de três milhões buscam emprego há mais de 2 anos, diz IBGE

Cerca de 3,2 milhões de pessoas estão à procura de emprego há dois anos ou mais no Brasil. S...

Veja mais
Com Selic em queda, poupança pode passar a render menos que a inflação

Com a taxa básica de juros, a Selic, em queda, os rendimentos da poupança devem perder para a inflaç...

Veja mais
Lei da Liberdade econômica deve ser aplicada, diz presidente do Sebrae

A nova Lei da Liberdade Econômica deve facilitar o ambiente de trabalho para as pequenas e médias empresas ...

Veja mais
Mercado passa a ver Selic a 4,25% em 2020

O mercado passou a ver a taxa básica de juros ainda mais baixa em 2020 e um cenário melhor para a atividad...

Veja mais
IGP-M passa a cair 0,01% na 2ª prévia de novembro, diz FGV

O IGP-M passou a recuar 0,01% na segunda prévia de novembro, sobre avanço de 0,85% no mesmo período...

Veja mais
Na Black Friday, varejo estima faturamento de R$ 3 bilhões

A edição deste ano da Black Friday deve ganhar um impulso extra com a liberação de recursos ...

Veja mais