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Setor aponta soluções para diminuir perdas e ainda aumentar o lucro 18/10/2012 às 15h



Supermeeting Perdas e Lucratividade fez jus ao nome: trouxe soluções que, além de conter perdas, ampliaram a lucratividade. Conheça casos de sucesso de empresas do setor


A Abras promoveu, em 15 de agosto, o sétimo Supermeeting Perdas e Lucratividade. No auditório Don Charles Bird, sede da entidade, os participantes conheceram, em primeira mão, os principais resultados da 12ª pesquisa anual de perdas no varejo, apresentada pelo gerente técnico da Abras, Aguinaldo Marques. O estudo é realizado todos os anos pela Abras e parceiros (veja detalhes em reportagem nesta edição). Também acompanharam um ciclo de palestras ministradas por supermercadistas, empresas de tecnologia, de embalagens e integrantes da Abras.

Supermercadistas mostraram ferramentas de formação, tecnologias e práticas que resultaram em quedas significativas nos indicativos de perdas na área de venda, retaguarda e gestão. Foi uma tarde dedicada ao compartilhamento de experiências e oportunidades aos colegas de setor, como enfatizou o vice-presidente da Abras, Márcio Milan. 


“Fico alegre em ver a casa cheia para compartilhar informações sobre este assunto, que é de grande interesse para supermercadistas e comércio em geral. Valorizo muito momentos como este, em que colegas podem somar esforços para tratar de um tema nada fácil. Envolve lucratividade, questões tributárias e fiscais, tanto que, atualmente, discutimos com órgãos públicos alternativas para evitar multas e perdas para o setor.”

Na sequência, Milan mencionou o bom momento econômico vivido pelos supermercados, mas alertou sobre o perigo de se perder parte importante dos resultados na operação. As perdas setoriais alcançaram 1,96% em 2011 conforme a pesquisa mais recente da Abras. “Nos primeiros seis meses do ano, acumulamos crescimento de 6,79% e a estimativa é crescer 5% em 2012, bem acima dos 2% esperados para o PIB. Por outro lado, é preciso ficar atento às perdas, senão os ganhos obtidos de um lado se perderão com facilidade de outro.”






Guia de FLV

O primeiro palestrante do dia, o integrante do Comitê de Prevenção de Perdas da Abras e gerente de Processos e Projetos da mesma área da rede Natural da Terra (SP), André Lucena, fez o mesmo alerta de Milan. Na ocasião, o profissional apresentou o Guia de FLV, material elaborado pelo comitê e que acaba de ser lançado com o intuito de sugerir melhores práticas para a seção, que é geradora de tráfego, cartão de visitas – não é por acaso que vem sendo posta na frente das lojas – e gera boa rentabilidade.


“É inaceitável amargar perdas tão altas em um departamento desta importância. O Brasil é promissor pelo momento que vive e pela riqueza de recursos, mas o desafio nesta área é grande e o guia tem a missão de colaborar na redução do problema.” Segundo Lucena, a intenção foi apresentar caminhos, referências e informações atualizadas que atendam a um mercado moderno, amplo e dinâmico. Todavia, o sucesso da iniciativa vai depender do engajamento de todos os envolvidos nos processos. 


“O guia não vai resolver todas as dificuldades da seção e do setor. Ele é, na verdade, um passo para a melhoria contínua e estruturada de processos e, principalmente, de aspectos culturais, por isso não se baseia em ações pontuais e de curto prazo”, esclareceu. Para obter o material de apoio, distribuído sem custos aos supermercados, basta entrar em contato com o Comitê de Prevenção de Perdas da Abras pelo e-mail comitedeperdas@abras.com.br.




Problemas e soluções: frente de caixa


As palestras seguintes mostraram como os recursos tecnológicos são importantes armas na redução das perdas operacionais, tanto que a Rede Russi, da região de Jundiaí (SP), apresentou dois cases de soluções adotadas. Com novos procedimentos e sistemas, contabilizou resultados bastante positivos, inclusive aumento da lucratividade. O primeiro deles mostra a informatização dos PDVs. 


A solução de frente de caixa, chamada de Gatecash, da Gunnebo Gateway, reduziu 70% das perdas de categorias consideradas críticas para o Russi, como packs de cervejas, refrigerantes, leite e outros produtos vendidos de forma multiplicada. “Nossa quebra era de 1,3%, muito elevada para os segmentos. Após reduzi-la, tivemos 0,4 ponto percentual (p.p.) de aumento médio na lucratividade”, relatou o gerente executivo de proteção de ativos da rede, Marcelo Tavares.


O software, aliado a câmaras com áudio instaladas nos PDVs, possibilitou a comunicação da área de prevenção com as operadoras, bem como a visualização de todas as operações efetuadas nos check-outs. “Além dos furtos externos, é possível inibir fraudes com trocos, cheques e golpes comuns, como registrar alcatra e na verdade levar picanha”, comentou o diretor de Novos Negócios da Gunebbo Gateway, Luciano Raposo.


“Todos os vídeos e eventos de alto risco, como aberturas de gavetas e cancelamento de  cupons, podem ser vistos em tempo real ou consultados posteriormente pelo gestor. Ele pode fazer filtros do que quer ver por data, por operador e fazer buscas rápidas de imagens”, completou. 


Tavares, do Russi, apontou outros benefícios do sistema, como medir o tempo de atendimento da frente de loja, acompanhar estratégias de marketing, como o uso de cartões private label, e controlar a venda de bebidas alcoólicas a menores. “As operadoras podem registrar o número do RG de um menor no sistema para impedi-lo de comprar bebida alcoólica em qualquer outra loja da rede.”


Raposo e Tavares informaram que os operadores são avisados sobre a instalação e as funções do programa, que tem fácil integração com o sistema fiscal instalado nos PDVs e está de acordo com a legislação brasileira. Segundo o executivo da Gateway, a aplicação do Gatecash não se restringe apenas a grandes e médias redes de atuação nacional e regional. “Há versões para pequenas empresas, até mesmo para as que têm apenas uma loja e um check-out”, informou.



Projeto Transformar na logística


Depois de Tavares, o diretor de Tecnologia da Informação (TI) do Russi, Jadson Almeida, apresentou solução para evitar perdas na área de supply chain da companhia. Segundo ele, quando a cadeia de suprimentos se torna mais eficiente, são evitadas perdas por inconsistência de dados, rupturas e superabastecimento.


A renovação desta área recebeu o nome de Projeto Transformar. Para ir adiante, teve como principal ferramenta a instalação de um software da Neogrid usado para sincronizar cadeias de abastecimento de redes de varejo. “A solução permite que nossos fornecedores acessem a base de dados Russi pela internet para que planejem e antecipem pedidos, por exemplo. É um processo colaborativo de na antecipação de necessidades”, comentou.


Conforme o executivo, a possibilidade de ser estendido para grande número de fornecedores foi um dos critérios para que o sistema fosse escolhido pelo grupo. Outra vantagem, conforme o gerente de Marketing da Neogrid, Luiz Fernando Gripp, é o acesso a uma rede de negócios que funciona de forma parecida com o Linkedin, disponível para os usuários do software.


“O gestor da empresa é avisado quando um novo fornecedor passa a fazer parte da rede, que conta com quase 10 mil participantes, e pode interagir com ele para ampliar os negócios e sua cadeia de suprimentos”, informou Gripp. 


Na esfera operacional, o sistema auxilia na compra e distribuição correta dos produtos e dá mais visibilidade à cadeia, segundo Almeida. Outro atributo apontado por ele é a facilidade de interpretação e visualização dos dados pelos usuários. “Não adianta ter a informação se ela não pode ser compartilhada, por isso escolhemos uma ferramenta que possa ser acessada por toda a equipe.”


Segundo o executivo, os compradores visualizam no monitor tudo o que precisam para fazer compras com eficiência. A eles, é dada a programação do que precisa ser comprado em determinado dia, são apontados estoques baixos e SKUs em excesso, por exemplo. 


“Desta forma, podem providenciar reposições e transferências de produtos para evitar perdas por mercadoria sobressalente. São muitos locais de armazenagem e o programa traz soluções e o panorama completo do nosso abastecimento”, explicou Almeida.



Confinar ou não?

A tecnologia também permeou a palestra seguinte, ministrada pelo gerente de Prevenção de Perdas do Hyper Moreira (GO), Rafael Santana Araújo. Desta vez, o tema tratado foi o desconfinamento de produtos de alto risco (PARs), prática que provoca temor nos supermercadistas por se tratar de itens muito visados por pessoas e grupos mal-intencionados. 


O profissional mostrou como a empresa, que detém uma das maiores operações do formato hiper do Centro- Oeste, conseguiu tirar do confinamento o mix de bebidas destiladas, suscetíveis a perdas significativas no autosserviço. A solução foi inserir etiquetas antifurto nos produtos, fornecidas à empresa pela Plastrom Sensormatic.


“Os clientes reclamavam muito porque faltava agilidade. Sem contar a boa rentabilidade dos produtos. Internamente, como em toda organização, alguns foram contra, mas provamos melhoras com dados estatísticos. Só no primeiro mês, o faturamento com destilados subiu 37%. Em um ano, o crescimento foi de 39%”, divulgou Araújo. As vendas foram impulsionadas pela melhora da experiência de compra e pela possibilidade de promover ações de marketing no ponto de venda. “Começamos a fazer cross-merchandising para estimular o giro das bebidas, e deu certo.”


Com o sucesso do case dos destilados, o setor de perdas do Hiper Moreira ganhou ainda mais credibilidade. Hoje, produtos como tablets, presentes e cortes especiais de carnes ficam à disposição do cliente por meio de aparatos como cabos e etiquetas que suportam as baixas temperaturas dos freezers. “Nossa política atual é que nada seja confinado”, disse o gerente.


Para ele, o profissional da área de prevenção tem o óbvio papel de focar na proteção dos PARs, só que precisa ter visão estratégica para pensar não só em como protegê-los, mas criar alternativas que ajudem a melhorar os índices de lucratividade da empresa.


O diretor de Store Performance e Novas Soluções da Plastrom Sensormatic, Carlos Eduardo Santos, tem igual ponto de vista. Para o executivo, o caminho é criar processos e implementar tecnologias que não somente reduzam perdas, mas tragam ganhos adicionais à companhia. “Não são apenas soluções preventivas, são ferramentas estratégicas por auxiliarem em ganho importante de receita.”



Redução de perda com a embalagem


O uso de embalagens eficientes para reduzir índices de perdas foi o foco da próxima palestra, ministrada pelo diretor-executivo de Vendas da Tetra Pak, Fernando Varella. A empresa tem programa direcionado à redução de perdas e danos de embalagens, chamado Desperdício Zero. 


A ação é pautada na conscientização e treinamento dos colaboradores para  que adotem melhores práticas de manuseio, paletização, transporte, estocagem e exposição dos produtos envasados pela Tetra Pak.


No evento, o executivo apresentou a embalagem Tetra Recart, lançada no Brasil há cerca de cinco anos. É a maior aposta do grupo para acondicionar produtos prontos sem a adição de conservantes e por evitar perdas por dificilmente amassar e não quebrar. O bom desempenho é comprovado pelo fato de já ter participação de 10% no mercado de vegetais em conserva no País.


“Por ser compacta, utiliza 18% menos espaço em paletes, outra forma de reduzir perdas por causa da facilidade e economia no transporte. Nas gôndolas, a economia de espaço chega a 30% em comparação com as latas e de 91% em relação aos sachês.”


 



 

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