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Pausa para recuperar o fôlego? 04/05/2016 10:39:20

Desempenho do setor, em 2015, depois de um longo período de expansão nas vendas reais, apresentou queda de -3,25%. Dificuldades macroeconômicas, agravadas pela crise política, explicam o momento que, seja como for, não tem impedido o setor de investir


 
 

 

 

Depois de 13 anos sem retração, dos quais dez de expansão real, o autosserviço apresentou, em 2015, queda no índice de faturamento, segundo dados do estudo Estrutura do Varejo Brasileiro, da Nielsen. Apesar do crescimento nominal de 7,1%, a inflação de mais de dois dígitos (10,67% - IPCA) colocou para baixo o desempenho real do setor: -3,25%. Ainda assim, o varejo alimentar alcançou, em 2015, uma receita bruta de R$ 315,8 bilhões, o que lhe garantiu ligeiro aumento de participação no PIB brasileiro (5,35%) na comparação com 2014 (5,3%), o que só foi possível porque o PIB teve involução de -3,8% no ano passado.


"A queda na receita do setor é resultado da conjuntura econômica e os fatores que mais afetam são o aumento acelerado da taxa de desemprego e a queda na massa salarial", diz o consultor de Economia da Abras, Flávio Tayra. Nesse sentido, verifica-se um aspecto positivo nos números do setor, que, mesmo perdendo vendas reais, empregou mais em 2015 do que em 2014. De acordo com o estudo, o número de funcionários empregados pelo setor passou de 1.836.789 pessoas, em 2014, para 1.847.557, em 2015, expansão de 0,6%.


"Por alguns anos, no período em que o mercado de consumo mais crescia, o setor teve dificuldades para contratar. Havia um déficit de mão de obra e, mesmo agora, quando as vendas do setor caem, fica evidente que o autosserviço ainda não conseguiu preencher todas as vagas que tem", disse o presidente do Conselho Consultivo da Abras, Sussumu Honda. Outros indicadores do setor que também crescem são o de número de lojas, check-out e área de vendas.

Aliás, esses números se expandem proporcionalmente mais que o de empregados, o que revela a disposição do setor para seguir investindo, mesmo num momento conturbado da economia. O número de check-outs, de 2014 para 2015, foi de 212.964 para 215.580, um crescimento de 1,2%. A área de vendas cresceu 1,5%, indo de 21 mil m2, aproximadamente, para 21,6 mil m2. O número de lojas teve expansão percentual similar à de check-outs: de 83.581 para 84.547, no período.


Segmentos


Ainda com base nos dados da Estrutura do Varejo Brasileiro, da Nielsen, cuja base é maior que a do Ranking Abras/ SuperHiper, verifica-se que, ao separar o autosserviço em supermercados, lojas com mais de dois check-outs, e varejo tradicional, lojas com apenas um check-out, o primeiro grupo teve desempenho superior ao do segundo, o que vem acontecendo sucessivamente nos últimos anos. O varejo tradicional, em 2015, foi o que menos cresceu: 6,2%, nominalmente, contra 7,1% do segmento supermercadista. Porém, de acordo com os dados da Nielsen, esse segmento aumentou em 3% o número de lojas e, naturalmente, teve a mesma expansão em número de checkouts.


De todos os dados, contudo, o mais impressionante foi o de funcionários, com expansão de 7,2%, saindo de 207.390, em 2014, para 222.402 em 2015. O segmento supermercadista, com base no estudo da Nielsen, embora tenha elevado sua área de vendas em 1,1% e o número de check-outs em 0,7%, teve queda no número de funcionários e de lojas - -0,3% e -0,9%, respectivamente -, dados que não se refletem quando a análise se restringe às empresas do Ranking, que apontam crescimento, em número de lojas, superior ao de área de vendas, além de apresentarem alta no número de funcionários.


Mesmo com a inclusão do cash & carry, que não entra nestes números da Nielsen, temos, no Ranking, sobretudo entre suas maiores empresas, uma tendência de mais aberturas de lojas de vizinhança e proximidade, ou seja, lojas menores (conheça os dados do Ranking nas próximas matérias). De volta aos dados da Estrutura do Varejo Brasileiro, verifica-se que, em um ano de inversões de tendências históricas, uma delas se manteve inalterada, em 2015.


Em linha com seu comportamento nos últimos 14 anos, a participação dos supermercados, no faturamento de todo o autosserviço brasileiro, seguiu crescendo no ano passado. A expansão do segmento na participação da receita do setor foi tímida em 2015, passando de 92,8% para 92,9%. Em 2014, esse percentual havia subido também 0,1 ponto percentual (p.p.), de 92,7% para 92,8%.


Perspectivas


Em grande medida, os dados apresentados até agora mostram um setor em dificuldade, mas investindo, o que pode ser interpretado como sinal de esperança em um futuro econômico melhor. "Não dá para esperar que a recuperação aconteça e se reflita no consolidado de 2016, mas é possível esperar que a recuperação comece a acontecer ainda neste ano, no segundo semestre", diz Sussumu Honda. A declaração de Sussumu tem respaldo em pesquisa e corrobora a manutenção das expectativas da Abras para o desempenho do setor em 2016, que prevê retração nas vendas: -1,8%, queda que, a confirmar-se, será bem menos acentuada que em 2015. "Essa previsão, embora tenha sido feita no início do ano, reflete as expectativas da entidade, mesmo após os resultados da pesquisa de Índice de Confiança do Varejo, que revelou otimismo dos supermercadistas para o segundo semestre de 2016", afirma Flávio Tayra.


Sussumu e Tayra dizem acreditar que a situação para o autosserviço alimentar é menos complicada do que para outros setores da economia e mesmo para outros varejos. O consumo dentro do lar aumenta com a crise, em virtude do encarecimento dos alimentos com serviço agregado, caso de restaurantes e demais food services. "Além disso, o setor tem cada vez mais redes com operação de cash & carry, modelo que se adaptou muito bem ao momento econômico do País e tem crescido", diz Sussumu.


Ele também destaca o trabalho da indústria para adaptar-se à crise. "Os fornecedores buscam oferecer condições de preços melhores e embalagens mais apropriadas, considerando também a queda no volume consumido." Aliás, outro traço do momento crítico que vivemos é a queda no volume de vendas, porque os consumidores seguram mais o consumo, o que não acontecia há mais de dez anos, no mínimo. "Houve, no acumulado dos dois primeiros meses de 2016, queda no volume de vendas do autosserviço na comparação com o mesmo período do ano passado: -1,2%", diz a executiva de Atendimento ao Varejo da Nielsen, Lenita Mattar.


É um indício claro da racionalização do consumo por parte do brasileiro, com o propósito de reduzir volumes, mas assegurar, na medida do possível, o consumo de alguns itens mais caros e que passaram a fazer parte de sua cesta de compras no período de bonança de nossa economia.

 



 

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