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Ano da virada nas vendas e nas expectativas 09/05/2018 16:17:32

 

Depois de dois anos de retração real na receita, o autosserviço brasileiro voltou a crescer em 2017, como mostram os números do estudo Estrutura do Varejo, realizado pela Nielsen, e que, nestas páginas, abre o Ranking Abras 2018, estudo realizado há 41 anos, fruto de parceria entre a Abras e a própria Nielsen.

 

O bom desempenho do autosserviço é mais facilmente verificado no gráfico do Índice de Faturamento do Setor. Tendo 1990 como ano-base/100, o índice mostra que, em 2017, depois de duas quedas, o setor se aproxima de seu melhor desempenho na série histórica, 206 pontos percentuais (p.p.), resultado alcançado em 2014.

 

A melhora dos fundamentos da economia em 2017 ajudou o setor de autosserviço a elevar seu faturamento real em 0,8%. Em valores nominais, o crescimento da receita do setor chegou a 4,3%, superando a média da inflação do período, que foi de 3,46%.

 

A receita do setor foi de R$ 338,7 bilhões em 2016 para R$ 353,2 bilhões no ano passado. Vários fatores contribuíram para o desempenho. Do ponto de vista macroeconômico, a ligeira melhoria no ambiente de negócios ensejou investimentos, embora ainda tímidos mas que se traduziram em crescimento do PIB, cerca de 1%, e geração de empregos, o que é vital para o setor.

 

Em novembro de 2017, o governo festejou a abertura de 76 mil novos postos de trabalho no acumulado do ano até aquele momento. Um dos maiores empregadores do País, os supermercados também contribuíram para reduzir a taxa de desemprego em 2017. Após perder 1,9% postos de trabalho em 2015 e obter ligeira recuperação no ano seguinte, com alta de 0,3%, setor deu, em 2017, continuidade à curva ascendente da geração de empregos, registrando alta de 1,1%.

 

Quanto à participação do setor sobre produto interno bruto (PIB), houve estabilidade. Os supermercados representam 5,4% do total produzido dentro do País, mesma importância de 2016.

 

Bons números

Outro fator que contribui para a reação verificada em 2017 é a disposição dos supermercadistas em encontrar caminhos para fazer seus negócios expandirem. Esse fator não é novo; tradicionalmente, o ânimo do empresário do setor ajuda a explicar, na crise, números não tão ruins e, na bonança, bons números.

 

Neste ano, por exemplo, o autosserviço apresentou crescimento, em sua área de vendas, de 0,9%, e, na quantidade de lojas, de 0,4%. Em 2017, o setor somou 22 milhões de m2 e 89.368 unidades. Vale aqui uma observação: neste estudo, não estão contemplados os atacarejos — sabidamente, um dos formatos que mais crescem no País —, o que torna os dados sobre expansão da área de vendas e número de lojas ainda mais representativos, pois revelam que outros formatos supermercadistas estão expandindo suas áreas de vendas por meio de aberturas de lojas.

 

Nesse sentido, destaque para as pequenas lojas, como hard discouts e supermercados de proximidade. Bandeiras como Carrefour Express e Minuto Pão de Açúcar não nos deixam mentir. O Grupo Carrefour, por exemplo, abriu 49 Carrefour Express em 2017. Agora, se a área de vendas e o número de lojas cresceram, o de check-outs apresentou retração, indo de 225.058, em 2016, para 223.715, em 2017, retração de 0,6%, o que revela um empenho do setor em ser mais eficiente e produtivo. Além disso, lojas menores acrescem, à quantidade total de lojas, da mesma maneira que as grandes, mas “trazem” bem menos check-outs.

 

Como foram abertas muitas pequenas unidades, o setor ampliou a área de vendas, mas o mesmo não aconteceu com a quantidade de check-outs. O fato de muitas lojas de hipermercados terem sido convertidas em atacarejos, passando, dessa forma, a não fazer mais parte do estudo, também ajuda a explicar essa queda.

 

Por porte

A crescente força das pequenas unidades varejistas pode ser medida por um fato excepcional: as mercearias e lojas de conveniência (varejo tradicional), estabelecimentos que, geralmente, têm apenas um check-out, elevaram sua participação no faturamento do autosserviço em detrimento da receita dos supermercados. O fato não era verificado há, pelo menos, 17 anos. A evolução da importância dessas lojas no faturamento do setor foi pequena, mas chama a atenção como fato histórico.

 

Em 2017, a participação do varejo tradicional foi de 7,3%, 0,2 p.p. acima do número verificado no ano passado. Os supermercados, em seus diversos formatos, foram de 92,9% das vendas do autosserviço para 92,7%. Ao que tudo indica, a exceção histórica não virará regra, ainda mais quando se considera a ausência dos atacarejos. Se fizessem parte, a participação do varejo de natureza “supermercadista” seguiria crescendo, como tem ocorrido há quase duas décadas.

 

Expectativas

Os números, acima colocados, são a prova de que 2017 significou, para o setor, ponto de inflexão na recessão que vivia. O ano foi marcado, ainda, por inúmeras conquistas institucionais, como o reconhecimento oficial dos supermercados como atividade essencial à sociedade brasileira, e por reformas estruturantes consideradas vitais para o desenvolvimento econômico do País pela classe supermercadista.

 

Diante de tudo isso, é natural que a expectativa para 2018 seja de números melhores do que os verificados em 2017. “Em janeiro de 2018, o PIB, na comparação com o mesmo mês de 2017, apresentou crescimento de 2,7%. Isso nos faz ter certeza de que o Brasil está no rumo certo. O setor também está e, por isso, prevemos expansão, nas vendas supermercadistas, de 3% em 2018”, argumenta o presidente da Abras, João Sanzovo Neto.

 

Sanzovo defende que o setor encampe ainda mais reformas estruturantes, sob o argumento de serem tão importantes quanto às realizadas em 2017. “Precisamos das reformas fiscal e tributária, bem como trabalhar para reduzir, fortemente, o spread bancário.” O presidente da Abras também destaca pautas específicas, cuja aprovação pode e deve contribuir para o desenvolvimento do setor. “Defendemos, por exemplo, que os supermercados voltem a comercializar medicamentos isentos de prescrição médica.”

 

Fonte: Revista SuperHiper edição de Abril de 2018

 

 



 

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