Governo já admite, internamente, que alta do PIB em 2012 não atingirá meta

Leia em 2min 10s

A meta de crescimento de 5% para a economia em 2012, defendida pela presidente Dilma Rousseff, pode ficar só no discurso. Já há previsões da área econômica do próprio governo, que não são divulgadas publicamente, que indicam expansão ao redor de 3,5%, segundo apurou o 'Estado'.

No mercado financeiro, essa estimativa mais tímida de crescimento é vista como teto nas projeções mais otimistas para 2012. A determinação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, no entanto, é manter o otimismo em torno de uma estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) mais forte.

O governo quer evitar que uma estimativa de crescimento menor contagie as perspectivas de investimentos, dando início a um círculo vicioso para a economia. Além disso, membros da área econômica avaliam que novas medidas em estudo para estimular o crédito, como já sinalizou Mantega, terão força para acelerar o crescimento.

Por isso, as projeções de PIB do Ministério da Fazenda são sempre mais altas do que as do mercado e levam em conta cenários bem mais otimistas. É com essa estratégia que o ministro resolveu fixar uma meta de crescimento para 2012, e não apenas uma mera estimativa.

Para o economista-chefe da LCA Consultores, Braulio Borges, o fraco desempenho da atividade no segundo semestre deste ano não deve colaborar para dar um empurrão à expansão do País em 2012, que, para ele, deve ser de 3,1%. "O PIB no quarto trimestre também deve apresentar estagnação."

Até a semana passada, o economista acreditava que o PIB poderia crescer 0,4% no último trimestre de 2011, mas, após a divulgação do indicador do BC sobre atividade econômica de outubro, que caiu 0,32% ante setembro, Borges passou a apostar num resultado nulo da economia no fechamento do ano. Ele estima que o Brasil terá uma expansão de 2,8% em 2011.

Dívidas. De acordo com Borges, estímulos fiscais do governo para aquecer a demanda agregada, especialmente o consumo de bens duráveis, como eletrodomésticos, não devem surtir tanto efeito quanto no fim de 2008 e início de 2009. "As famílias estão muito endividadas. Portanto, a renda disponível para adquirir novas mercadorias está limitada", comentou.

Ele destacou que produtos como geladeiras têm um ciclo de consumo ao redor de sete anos, o que, em condições normais, não foi esgotado para aqueles que compraram tais mercadorias em 2008.

"Além disso, a concessão de crédito pelos bancos está muito restritiva, pois as instituições financeiras estão bem mais seletivas para liberar financiamentos, sobretudo em razão da atual crise internacional, que deve ter longa duração", afirmou Borges.


Veículo: O Estado de S.Paulo


Veja também

Mercosul amplia lista com TEC até 35%

Em discurso de encerramento da cúpula, Dilma Rousseff confirmou que os países concordaram com a medida par...

Veja mais
Exportações ganham mais espaço no PIB

Responsáveis por segurar o Produto Interno Bruto (PIB) estável no terceiro trimestre ao crescer 1,8% no pe...

Veja mais
Cerca de 200 produtos terão elevação da TEC

A reunião de cúpula do Mercosul avançou lentamente ontem nas negociações para elevar ...

Veja mais
Preços no atacado acumulam alta de 4,45% na 2ª prévia do mês

Até a segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de dezembro, a inflaç...

Veja mais
Mercosul vai ampliar lista de produtos com tarifa máxima de 35%

Por pressão da Argentina, o Mercosul deverá ampliar hoje a lista de produtos que poderão ser alvo d...

Veja mais
Venda sobe mais que produção na indústria

O descompasso entre as vendas e a produção da indústria avança ao longo de 2011. Embora amba...

Veja mais
Cartão é o que mais provoca a inadimplência

Pesquisa da Boa Vista SCPC revela que 64% dos inadimplentes apontam o não pagamento do cartão como causado...

Veja mais
Gasto do governo pode elevar juros

Com cenário internacional ruim e diminuição do PIB, dívida pública aumenta e cria a n...

Veja mais
Federação das Indústrias do RS propõe ofensiva contra carga tributária

Federação divulga pesquisa mostrando o peso e a profusão dos tributos no País e prepara ofen...

Veja mais