Aumento do mínimo e do nível de emprego ainda não trouxe de volta a vontade de comprar.
As famílias brasileiras ficaram menos inclinadas a ir às compras na passagem de fevereiro para março, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) recuou 3,8% no período, mas se manteve nos 135,6 pontos, considerado ainda nível propenso ao consumo. Na comparação com o mesmo mês de 2011, no entanto, houve aumento, de 0,9%, na intenção de consumir, puxado pelo otimismo em relação ao mercado de trabalho.
Segundo a CNC, os fatores que têm levado a um crescimento na confiança dos consumidores - como o aumento real do salário mínimo, o emprego forte e a desaceleração da inflação - ainda não provocaram a recuperação da disposição ao consumo.
Todas as variáveis que compõem o ICF registraram piora em março ante fevereiro. Nesse período, a avaliação sobre o emprego atual caiu 4,2%; a perspectiva profissional recuou 4,5%; e a renda atual teve piora de 1,4%. O sentimento das famílias sobre compras a prazo sofreu deterioração de 2,6%; o nível de consumo atual caiu 1,1%; a perspectiva de consumo ficou 3,9% menor; e o momento para bens duráveis caiu 7,7%.
A entidade avalia que, além da cautela das famílias para retomar o consumo, o aumento na intenção de compra nos últimos meses gerou uma base de comparação forte, que ajudou a provocar a queda no ICF de março. Na comparação com o mesmo mês de 2011, tiveram deterioração apenas os itens perspectiva profissional (-0,6%) e perspectiva de consumo (-1,8%).
Baixa renda - As famílias de renda mais baixa puxaram a queda na intenção de consumo dos brasileiros na passagem de fevereiro para março, de acordo com a confederação. O índice de intenção de consumo desta faixa de renda caiu 4,2%, para 133,6 pontos, entre os que recebem até dez salários mínimos. Na média nacional foi registrado recuo de 3,8% no período.
Já a confiança das famílias com renda acima de dez salários mínimos apresentou queda menor, de -0,8%, para o patamar de 148,7 pontos. "No início do ano, há um comprometimento maior da renda das famílias com despesas e tributos. A família com renda de até dez salários mínimos sente muito mais esse comprometimento do que a família com renda maior", explicou o economista da CNC, Bruno Fernandes.
O compromisso com pagamento de despesas extras no início do ano não refletiu na intenção de consumo em janeiro e fevereiro em razão do aumento do salário mínimo, explica Fernandes.
O economista acredita ainda que a queda de março tem caráter pontual e que o consumidor não vai demorar a retomar o apetite pelas compras, à medida que a atividade econômica mostrar sinais de reaquecimento e que aumentar o ritmo de concessões de crédito. "Nossa expectativa é que a intenção de consumo das famílias ganhe mais força a partir do segundo semestre", previu o economista da entidade. (AE)
Veículo: Diário do Comércio - MG