A Loblaw, maior grupo de supermercados do Canadá, acertou a compra da Shoppers Drug Mart , líder no varejo de farmácias do país, por 12,4 bilhões de dólares canadenses (US$ 11,9 bilhões). A operação lhe dará mais escala para defender-se da concorrência do Walmart e da Target.
Pelos termos da aquisição, segunda maior no setor de alimentos nos últimos dez anos, a Loblaw vai pagar 61,54 dólares canadenses, em dinheiro e ações, segundo comunicado divulgado ontem. O valor é 27% maior do que a última cotação de fechamento da Shoppers Drug Mart.
A transação - maior entre duas empresas canadenses desde a compra da Petro-Canada pela Suncor Energy em 2009 - acelera a consolidação no setor de varejo, à medida que as redes americanas Walmart e Target expandem-se no país. Há cerca de um mês, a Sobeys, uma rival da Loblaw, comprou as lojas canadenses da Safeway, por 5,8 bilhões de dólares canadenses.
A Loblaw é presidida pelo espanhol Vicente Trius, que comandou a operação brasileira do Walmart por 11 anos, até 2008.
As receitas somadas da Loblaw e da Shoppers Drug Mart foram de 42 bilhões de dólares canadenses em 2012, segundo as empresas. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) combinado girou em torno de 3 bilhões de dólares canadenses.
A Loblaw vai pagar um valor 10,3 vezes maior do que o Ebitda da Shoppers Drug Mart. A mediana dos valores pagos em acordos similares é de 6,2 vezes, segundo dados reunidos pela Bloomberg.A Agência de Concorrência do Canadá vai examinar a proposta de compra, segundo comunicado por e-mail do porta-voz do órgão, Greg Scott. A Loblaw não prevê que as autoridades reguladoras exijam a venda de lojas com condição para aprovar a transação, disse Vicente Trius, em teleconferência para analistas e investidores.
"Esta transação nos impulsiona a uma posição que levaríamos décadas para alcançar sozinhos", afirmou Trius.
A Shoppers Drug Mart esteve em contato com outras empresas sobre sua venda, de acordo com o executivo-chefe da rede de farmácias, Domenic Pilla.
Varejistas americanas vêm acirrando a concorrência no Canadá recentemente. A Target, de Minneapolis, abrirá 124 lojas neste ano, enquanto o Walmart, de Bentonvile, Arkansas, maior varejista do mundo, agregará mais seções de alimentos frescos a suas lojas. A Lowe's, varejista de artigos domésticos, e a Nordstrom, rede de lojas de departamento, também vêm se expandindo no Canadá.
O varejo canadense também está às voltas com problemas de demanda, em meio ao esfriamento do mercado imobiliário e ao endividamento recorde dos consumidores, que reduzem o crescimento dos gastos. A demanda doméstica apresentou taxa anualizada de aumento de 0,6% no primeiro trimestre deste ano, a menor desde o mesmo período de 2009.
Para o analista Kenric Tyghe, da Raymond James, a transação de ontem "intensifica o imperativo estratégico para que varejistas canadenses façam mais aquisições. Com a recente movimentação competitiva, algumas redes canadenses passaram de líderes a retardatárias".
Veículo: Valor Econômico