O governo central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) registrou déficit primário de R$ 19,798 bilhões em junho, dado mais fraco para o mês na série histórica iniciada em 1997.
O resultado continua a sinalizar que o governo federal terá grande dificuldade para cumprir a meta fiscal deste ano- saldo negativo de R$ 139 bilhões.
No primeiro semestre, informou o Tesouro ontem, o rombo somou R$ 56,092 bilhões, acumulando em 12 meses déficit de R$ 182,8 bilhões, muito acima da meta para este ano.
Contudo, ao explicar o resultado primário do governo central, a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, disse que não há discussão sobre mudança da meta fiscal de 2017. "Nosso compromisso dentro de Tesouro é pleno com o cumprimento da meta", afirmou.
Em um momento em que circularam rumores de que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, poderia deixar o governo em caso de mudança da meta, Ana Paula afirmou que a equipe está "firme e coesa". "Temos confiança muito grande no ministro Meirelles na condução desse processo", garantiu. Segundo ela, todos os cálculos para estimar as receitas e despesas dos órgãos têm base documental.
Ana Paula admitiu que a meta de 2017 é "desafiadora". "Estamos demonstrando todo nosso engajamento e compromisso com a meta", disse.
Ela chamou a atenção para o fato de, apesar da programação financeira apertada, a execução estar abaixo do limite financeiro autorizado, mesmo com "tendência persistente" de crescimento das despesas obrigatórias. "Voltamos a níveis de 2011 em termos de crescimento das despesas."
A secretária comentou ainda que os reajustes ao funcionalismo público federal previstos para o próximo ano podem ser adiados. Segundo ela, nenhuma decisão foi tomada, mas a medida pode ser discutida dentro do programa de revisão de despesas obrigatórias.
No primeiro semestre, o déficit da Previdência somou R$ 83 bilhões, enquanto o Tesouro apresentou superávit primário de R$ 27 bilhões. "O esforço do Tesouro para compensar a Previdência tem se acentuado", afirmou, lembrando que o resultado do Tesouro Nacional no primeiro semestre se equipara ao de 2014, quando descontada a antecipação de precatórios.
Ela ressaltou que o déficit maior registrado em junho e no primeiro semestre é "quase totalmente" explicado pela antecipação de pagamento de precatórios, que geralmente ocorria no fim do ano. Em maio e junho, o pagamento de precatórios somou R$ 20,3 bilhões, R$ 2,2 bilhões a mais do que igual período de 2016. A antecipação foi feita para reduzir as despesas com juros.
Ela afirmou que, enquanto as despesas obrigatórias seguem a programação, há uma execução menor nas discricionárias de cerca de R$ 20 bilhões em relação ao ano passado. /Agências
Fonte: DCI São Paulo