As perdas acumuladas no número de vagas no varejo dos últimos anos parece ter chegado ao fim. O movimento, puxado pela Reforma Trabalhista, se apoia apenas no estoque dos trabalhadores, e não na rentabilidade dos empregados, fator que joga ainda mais para frente a retomada do poder de compra do empregado, e posterga a ainda mais a retomada das vendas no varejo.
Para este ano, a estimativa do mercado e do governo é que oferta de vagas dentro comércio varejista apresente um salto, principalmente pela regulamentação do trabalho intermitente e da jornada 12x36. “A reforma põe fim a um antigo pleito dos empresários do comércio, mas sozinha não será responsável pela volta do poder de compra do brasileiro”, comentou o professor de macroeconomia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), César Maranhão.
Para o acadêmico, um trabalhador do varejo precisará constar como funcionário de ao menos duas varejistas para, no regime intermitente, compor uma renda que seja similar a que ele recebia com o contrato antigo. “Isso inflará a base de empregos, e vão comemorar como se fosse vitória”, comenta ele.
A visão do acadêmico está em linha com a situação enfrentada pelos funcionários de uma grande rede de supermercados do Rio de Janeiro. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Supermercados da cidade do Rio de Janeiro, diversas denúncias têm chegado sobre condições precarizadas de emprego. “Soubemos de casos de funcionários que recebiam R$ 80 por domingo trabalhado e o valor caiu para R$ 36”, conta o assessor jurídico da entidade, e Caio Andreolli.
De acordo com ele, esses casos estão se tornando cada vez mais frequentes, e vão além do segmento supermercadista. “Quase todo o varejo adotou o trabalho intermitente. Isso mutilou a renda do vendedor”, lamenta.
Considerado o motor da economia nacional, São Paulo apresentou um saldo positivo, após dois anos de retração, na base de trabalhadores no varejo. Segundo levantamento da FecomercioSP, entre janeiro e dezembro do ano passado, foram criados 6,3 mil postos de trabalho, revertendo apenas uma fatia dos 107,5 mil empregos perdidos no setor entre 2015 e 2016.
Apesar do resultado ainda incipiente, a Federação sinaliza o ponto de inflexão do setor, que deverá encerrar 2018 com um cenário ainda melhor.
Ao término de 2017, o estoque ativo do setor foi de 2.089.209 trabalhadores formais, alta de 0,3% em relação a dezembro de 2016. Os dados foram puxados por vagas em lojas de vestuário e calçados, supermercados e farmácias.
Fonte: DCI