Quem compra leite pasteurizado em pacotes já sentiu que há quase um mês o preço de algumas marcas conhecidas na região baixou de R$ 1,60 para R$ 1,40. Por se tratar de um período climático considerado ruim para as pastagens, muita gente estranhou. "Normalmente se espera uma queda do preço no verão, quando há um aumento na produção, mas nessa época é atípico", analisa o empresário francisco Simionato, dono de um laticínio na região.
Veículo: Tribuna News - PR
Segundo o chefe regional da Secretaria da Agricultura, Ericson Chandoha, o que houve foi um aumento na produção de leite no Paraná, que de quarto produtor nacional hoje é o segundo. "Só perdemos para Minas Gerais", disse, ao citar a lógica do mercado da oferta e procura. "Se tenho muita oferta os preços caem".
O empresário Simionato diz que há necessidade de incentivo à exportação. "Por falta desse incentivo, as empresas acabaram se obrigando a vender o leite no mercado interno. Temos cooperativas grandes que não estão conseguindo exportar leite em pó no Paraná. Há quem diga que a qualidade do leite foi brecada lá fora", ressalta.
Com o produto sobrando no mercado, as grandes empresas nacionais baixaram os preços do leite longa vida. "De repente todo mundo começou comprar leite de caixinha e as empresas locais tiveram que reduzir o preço", disse a balconista de uma panificadora em Campo Mourão.
Se para o consumidor a queda no preço do leite e derivados é motivo de comemoração, para os produtores o momento é de preocupação. "Os laticínios já estão entrando em margem muito pequena de lucro e isso vai estourar no produtor de leite", lembra Simionato. Segundo ele, o preço do adubo para pastagens, por exemplo, que no ano passado custava R$ 700,00 a tonelada, hoje custa R$ 1,6 mil.
Longa vida – Simionato é um dos vários empresários do ramo que demonstram surpresa com a queda no preço do leite longa vida, vendido por algumas redes de supermercado a R$ 1,09 em dias de promoção. "Eu não sei que mágica eles estão fazendo. Com o valor que hoje é pago ao produtor, somados a custos como transporte, embalagem e impostos, por exemplo, o custo chega a pelo menos R$ 1,40. Como é que estão conseguindo vender a R$ 1,09?", questiona. Ele lembra do problema da adulteração no leite, que foi notícia nacional no ano passado. "No ano passado a imprensa nacional divulgou o problema da adulteração em algumas marcas de leite. De repente ninguém mais falou nada. É preciso que fiquemos atentos", argumenta.
O chefe regional da Seab diz que a produção é resultado dos investimentos no setor. "O investimento em genética é um dos grandes responsáveis para o aumento da produção de leite", salientou Chandoha. A produção regional, segundo ele, é distribuída por sete laticínios, em torno de 180 mil litros/mês.