A sueca SCA levou anos planejando sua entrada no país. A exemplo de outras conterrâneas como Ericsson, Volvo e Scania, Electrolux, Saab e Tetra Pak, a companhia que atua na área de cuidados pessoais e é líder mundial na venda de produtos para incontinência urinária, fez uma estreia modesta, com a compra da empresa brasileira Pro Desert, na época avaliada em cerca de R$ 140 milhões.
O tempo de teste acabou. O presidente mundial da companhia, Jan Johansson, afirmou recentemente que “ficará muito decepcionado se, em cinco anos, metade dos negócios da empresa não vierem de países emergentes”, hoje com apenas 18% de participação. Um volume de negócios alto para a empresa que teve uma receita de US$ 9 bilhões até setembro.
Isso aumentou o desafio de Julio Ribas, presidente da companhia no Brasil. “Nossa estratégia é crescer em todas as categorias em que atuamos, inclusive, trazendo novos produtos”, diz.
Novas aquisições no Brasil tambémestão na mira da companhia, que atuaem cem países com duas linhas de produtos, Tena, para incontinência e Tork, de lenços e toalhas de papel. No Brasil, vende também a marca Biofral, de fraldas e outros produtos para bebês. A SCA tem ainda 20% de seu negócio proveniente da exploração da floresta, negócio que deu origem a companhia em 1929.
Ribas, que é ex-executivo da Procter&Gamble, afirma que no Brasil o mercado de incontinência urinária movimenta cerca de R$ 1 bilhão. “Temos 10 milhões de pessoas sofrendo de algum tipo de incontinência, o mesmo número de diabéticos”, alerta. Por isso, o potencial poderia até ser maior, não fosse o tabu em relação ao tema. “Não é o assunto mais sexy para se discutir em um cocktail”, brinca o executivo. “As pessoas ligam a incontinência a um problema exclusivamente de idosos, o que não é verdade. Até mesmo atletas de alta performance chegam a sofrer com o problema”, explica.
No Brasil, a SCA compete diretamente com Hypermarcas e com Kimberly-Clark. Em 2012, a estratégia da empresa foi investir na aproximação do mercado hospitalar. A chegada ao varejo é recente. Em outubro, a empresa começou a distribuir para redes farmácias em todo o país. Ribas afirma que o varejo brasileiro, especialmente o de supermercados, ainda tem dificuldadeemtrabalhar com as fraldas geriátricas. “É um tabu, mas vai mudar.”
Veículo: Brasil Econômico