Osvaldo Filho despacha os produtos por transportadoras e pelos Correios, garantindo a entrega em tempo hábil.
Alagoa é uma pequenina cidade do Sul de Minas (população total de 2,7 mil habitantes) entre Caxambu e São Lourenço, a 425 quilômetros de Belo Horizonte. a mais alta do Circuito Terras Altas da Mantiqueira (no meio das montanhas destaca-se o Pico do Santo Agostinho, com 2.377 metros de altura), cercada de cachoeiras e araucárias. O município está no Caminho Velho da Estrada Real e 100% de seu território fica em área de preservação ambiental (APA Serra da Mantiqueira e Parque Estadual Serra do Papagaio). Montanhas, vales, um túnel de escavação feio por escravos no bairro Garrafão, muito verde e, na opinião da analista técnica do Sebrae Minas, Ticiana Tranquera Mata Lopes, "o céu mais maravilhoso do mundo".
Além desse forte apelo turístico, Alagoa tem também gente empreendedora. Um deles é Osvaldo Filho, 28 anos, que teve uma ideia genial: vender queijo pela internet. Tudo começou em 2009, quando o produtor de queijo, seu Batistinha, reclamou que não estava conseguindo escoar sua produção. Foi o que bastou para Osvaldo Filho entrar no processo. Ele buscou ajuda no Sebrae, onde conheceu a analista Ticiana Lopes, e obteve toda a cobertura. "Eu tinha aberto um ambiente virtual em 2009, mas foi a partir de 2010 que a Ticiana me deu total apoio e instrução para efetivar a ideia de vender queijo pela internet", confirma. Nascia a empresa virtual Queijo d’Alagoa/MG.
E assim, garimpando um cliente aqui, outro ali, Osvaldo Filho chegou à marca atual: ele comercializa, por mês, cerca de 100 quilos de queijo no varejo e 600 quilos no atacado. Seus clientes estão por todo o país, principalmente em São Paulo, Minas, Brasília e Rio de Janeiro, mas ele já enviou a iguaria para lugares bem mais distantes, como Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, Tefé (Amazonas) e Pio XII (Maranhão). E tem gente famosa comprando os queijos de Alagoa. Entre outros, o apresentador Marcelo Tas, o jornalista de gastronomia Eduardo Girão e o estilista Ronaldo Fraga.
Osvaldo Filho despacha os produtos por transportadoras e pelos Correios, garantindo a entrega. "Até de avião já enviei queijo. Um cliente belo-horizontino que trabalha em Manaus pediu três peças e lá se foram os queijos pelos ares, com nota fiscal e tudo mais", afirma. A criatividade e ousadia do Osvaldo Filho alavancaram a produção do queijo de sua terra. Mas o outro lado desta história não pode ser desprezado: os queijos de Alagoa são muito bons. O clima frio da cidade (não é raro os termômetros baixarem de zero) e a altitude do lugar (mais de 1.100 metros) conferiram o conjunto perfeito para dar o sabor ao produto.
A pecuária é predominante em Alagoa. A maioria das pessoas que moram na zona rural produzem o Queijo Alagoa, também chamado de Parmesão de Alagoa ou Parmesão da Mantiqueira. Quem não produz, vende o leite para os laticínios. A cidade abriga uma associação de produtores, dois laticínios e dezenas de produtores de queijo. De acordo com o mestre queijeiro Bruno Cabral, o Queijo Alagoa é produzido "artesanalmente, com leite cru (não-pasteurizado) bem brasileiro, aromático, sabor levemente picante e forte de gosto, intenso e persistente na boca".
Queijo pela internet, quem diria? O empreendedor Osvaldo Filho disse. E meteu a mão na massa, buscou auxílio no Sebrae e foi à luta. Quem quiser saborear o Queijo Alagoa sem sequer sair do conforto de casa, basta abrir as porteiras do sítio www.queijodalagoa.com.br. Mas, se preferir, pode ir pessoalmente a Alagoa, que tem muito mais que um delicioso queijo artesanal.
Veículo: Diário do Comércio - MG