A AstraZeneca pediu para David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, não firmar posição sobre a proposta de compra hostil feita pelo laboratório americano Pfizer, que ofereceu 63 bilhões de libras esterlinas (US$ 106,2 bilhões) pela companhia inglesa. A AstraZeneca vai reforçar sua defesa contra a investida da Pfizer anunciando novos medicamentos em fase de desenvolvimento.
Leif Johansson, presidente do conselho de administração da AstraZeneca, preveniu o premiê do Reino Unido que o engajamento ativo oficial com a Pfizer pode permitir que o grupo americano afirme que o governo é a favor do negócio, de acordo com pessoas familiarizadas com a conversa, ocorrida na sexta-feira.
Detalhes do diálogo surgiram após Ed Miliband, dirigente do Partido Trabalhista, de oposição, acusar Cameron, no domingo, de agir como um "líder de torcida" em favor da Pfizer, depois que ministros começaram a negociar com a empresa em torno de empregos e investimentos antes de ela ter feito uma oferta formal.
O gabinete do premiê reiterou ontem sua afirmação de que não está agindo como "líder de torcida em favor da Pfizer", e sim lutando pela manutenção de postos de trabalho e conquistas científicas britânicas. Uma autoridade próxima a Cameron disse que não se poderia responsabilizar o premiê pela interpretação dada pela Pfizer à resposta do governo.
A AstraZeneca, que na semana passada recusou a proposta informal da Pfizer, de 50 libras esterlinas por ação, ao considerá-la uma "significativa" subavaliação, emitirá hoje detalhes dos novos medicamentos em processo de pesquisa e desenvolvimento - entre os quais alguns tratamentos promissores para o câncer -, num esforço de convencer os investidores a continuar confiando na AstraZeneca como empresa independente. "Estamos convencidos de que temos boa estratégia, que está fazendo bons avanços, e que temos capacidade de continuar autossuficientes", disse Pascal Soriot, principal executivo da AstraZeneca.
A investida da Pfizer recebeu um impulso ontem, quando uma influente personalidade do setor farmacêutico britânico criticou o "furor político e nacionalista" que cerca a oferta. Richard Sykes, presidente do conselho de administração da Royal Institution e ex-principal executivo da GlaxoSmithKline, disse ser "irrelevante" quem é o proprietário da Pfizer e onde fica sua sede. "O que realmente importa é que o Reino Unido estimule essas companhias a fazerem seu trabalho de descoberta e desenvolvimento de medicamentos aqui", escreveu ele na edição de ontem do "Financial Times".
A Pfizer disse que está "muito decepcionada" com a recusa da AstraZeneca em começar negociações e disse manter abertas todas as alternativas para seu próximo passo. Ian Read, presidente do conselho de administração e principal executivo da Pfizer, pediu que o conselho de administração da AstraZeneca reconsidere sua recusa a iniciar conversações.
Segundo as normas britânicas de aquisições, a Pfizer tem até o dia 26 para convencer a AstraZeneca a iniciar conversações ou, se fracassar, para fazer uma oferta hostil pela empresa ou desistir do negócio. Analistas dizem que um dos motivos pelos quais a Pfizer quer comprar a AstraZeneca são as perspectivas relativamente fracas de seu processo de desenvolvimento de produtos.
Veículo: Valor Econômico