A fabricante de eletrodomésticos Whirlpool, dona das marcas Brastemp, Consul e Kitchen Aid, decidiu colocar em férias um terço de seus 15 mil funcionários no Brasil em junho. A decisão é resultado de um cenário mais fraco que o previsto nas vendas, mas não significa que a empresa tenha uma expectativa mais negativa para o setor e para a economia do país. "É uma questão pontual. Não vemos um cenário de catástrofe", disse ao Valor, Enrico Zito, presidente da unidade de eletrodomésticos da companhia para a América Latina.
De acordo com o executivo, ao avaliar o calendário do mês de junho, com Copa e o feriado de Corpus Christi a companhia optou por suspender parte de suas operações e aliviar a pressão de aumento de custos. Mas a parada não estava prevista nos planos iniciais para o ano e foi motivada pela desaceleração mais acentuada que o esperado do mercado. A expectativa era que as vendas caíssem entre maio e julho por conta da Copa. O que foi visto, no entanto, foi um recuo já no mês de abril. Agora, a companhia já projeta também uma queda maior para o período da Copa - 15% contra os 10% iniciais. Segundo Zito, as incertezas da economia, aliadas à inflação em alta e à maior seletividade do consumidor causaram esse cenário.
O executivo disse acreditar, no entanto, que essa situação não deve persistir no segundo semestre. "Trabalhamos com um cenário de mercado melhor. Estamos nos planejando para isso", disse. Desde o começo do ano a Whirlpool vem falando que o setor de eletrodomésticos terá um desempenho estável em 2014 na comparação com o ano passado.
A paralisação afetará de forma distinta as três fábricas da companhia no país. Em Rio Claro (SP), onde são produzidas lavadoras e fogões, a produção será interrompida entre 16 e 25 de junho. Em Joinville, só vão parar os funcionários da área administrativa, entre 15 e 25 de junho. A produção de refrigeradores continuará em funcionamento. Na unidade de Manaus, a paralisação acontecerá durante todo o mês de junho.
Veículo: Valor Econômico