A Prumo Logística S.A. confirmou ontem que vem mantendo, confidencialmente, tratativas para uma possível capitalização da empresa por meio de um aumento de capital privado. As bases para essa operação foram estabelecidas em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada em setembro. Na ocasião, os acionistas da Prumo concordaram em alterar o estatuto social para permitir o aumento do capital autorizado da companhia dos atuais R$ 2 bilhões para R$ 4 bilhões. A Prumo é a substituta da antiga LLX, empresa de logística de Eike Batista, que em 2013 passou ao controle acionário da americana EIG Global Energy Partners.
É possível, portanto, que o capital social da Prumo seja aumentado em até R$ 2 bilhões. Mas não se pode dizer com certeza neste momento de quanto será exatamente esse aumento de capital e, inclusive, se, de fato, ele vai ocorrer e em qual data. A decisão terá de ser tomada pelo acionista controlador da Prumo, a EIG, no conselho de administração da companhia.
O possível aumento de capital da Prumo se relaciona com as necessidades da empresa de continuar a desenvolver o porto do Açu, em São João da Barra (RJ). Ontem, depois de fortes desvalorizações das ações da empresa, na semana passada, a Prumo divulgou fato relevante dizendo que a viabilidade do aumento de capital vem sendo discutida com o acionista controlador da empresa, a EIG. "Até a presente data, não foi celebrado qualquer documento vinculante estabelecendo os termos dessa possível captação de recursos, não havendo qualquer garantia de que essa operação será realizada."
No acumulado do ano, até ontem, as ações da Prumo registraram queda de 50% ante uma valorização de 5,43% do Ibovespa. No mês, as ações da companhia tiveram perdas de 40%. E só ontem a queda foi de 11,48%, segundo dados do Valor Pesquisa Econômica. Ao fim do segundo trimestre de 2014, último dado disponível, a Prumo tinha uma posição de caixa de R$ 310,3 milhões e uma dívida líquida de R$ 2,2 bilhões.
Para executar os investimentos previstos no Açu em 2014, a companhia parece estar em situação relativamente confortável. O investimento estimado para este ano no projeto do Açu foi de R$ 1,49 bilhão, dos quais R$ 689,8 milhões tinham sido realizados até o segundo trimestre. Resta aplicar R$ 804,2 milhões no segundo semestre. Com esse objetivo, a empresa conta com o dinheiro em caixa mais R$ 600 milhões de financiamento de curto do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), garantido pelos bancos Bradesco e Santander. Os R$ 600 milhões fazem parte de um volume de dívida adicional com o BNDES de R$ 900 milhões.
Desses R$ 900 milhões, R$ 302,1 milhões, considerando juros, foram concedidos. A operação tem cartas-fiança de Bradesco e Santander. Os aportes na Prumo, considerando dinheiro novo dos acionistas e dívida adicional, vão somar R$ 2,2 bilhões até o fim deste. O valor leva em conta a capitalização de R$ 1,3 bilhão feita quando da entrada da EIG na empresa.
A Prumo pediu ao BNDES outro financiamento, de longo prazo, de R$ 2,8 bilhões, na modalidade "project finance", em que a receita do empreendimento, o porto do Açu, é usada para quitar a dívida. Quando esse empréstimo sair, permitirá pagar os financiamentos do BNDES que vencem em 2015 e 2016. Essa dívida soma R$ 2,3 bilhões e inclui empréstimo mais antigo, de R$ 1,4 bilhão. Na troca da dívida de curto por longo prazo, vão sobrar R$ 500 milhões para investimentos. A Prumo tem ainda uma debênture emitida pela Caixa para o FI-FGTS de R$ 750 milhões, com vencimento em 2027.
Veículo: Valor Econômico