Exportadores de suíno têm poucas perdas com embargo

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Mesmo com um embargo da Rússia que já dura 42 dias, os exportadores de carne suína tiveram poucos prejuízos até agora. Na primeira quinzena de junho, antes do início do embargo, no dia 16, foram exportadas 24 mil toneladas de carne. A média mensal de vendas para a Rússia é de 14 mil toneladas.

 

Além do suíno, os russos proibiram temporariamente também as compras de carnes de frango e bovina. No total foram afetados 85 estabelecimentos brasileiros.

 

Com um embarque equivalente a dois meses em apenas 15 dias, as indústrias esperam que o embargo seja encerrado até o início de agosto para retornar as vendas sem aumentar excessivamente os estoques. "O setor praticamente não sofreu prejuízos devido ao forte embarque na primeira quinzena de junho. Mas queremos começar a exportar para evitar que o produtor saia prejudicado", diz o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto.

 

Dirigentes do governo e da iniciativa privada se reuniram ontem, no Itamaraty, em Brasília, para analisar proposta feita pela Rússia. O Valor apurou que a cota global de importação russa para suíno será próxima 400 mil toneladas. O Brasil deve ficar com uma grande fatia desse total.

 

Atualmente, a cota global de importação de carne suína pela Rússia é de 472 mil toneladas, mas os parceiros comerciais anunciaram que vão reduzi-la a 350 mil toneladas no ano que vem. "Isso é pressão dos russos. Eles também precisam comprar. Queremos fechar um acordo bom para os dois lados, mas sem pressão", afirma Camargo Neto.

 

A aposta é resolver o embargo russo sem redirecionar as vendas agora. "Acho que o embargo será resolvido até a semana que vem. Será uma surpresa se o acordo não acontecer. Por isso, não estamos pensando em estratégias alternativas. A situação deve ser regularizada", diz Camargo. Segundo ele, a dependência entre os países é mútua. "Os importadores russos estão fazendo pressão para que o governo deles suspenda o embargo porque precisam de carne e os produtores nacionais precisam vender".

 

Camargo Neto afirma que o produtor sairá prejudicado caso o embargo dure mais tempo. As fortes vendas antes do embargo ajudaram a manter os produtores capitalizados neste período de 40 dias, mas a situação pode ficar difícil para os pecuaristas.

 

"Caso o embargo dure mais tempo, os produtores podem acabar tendo prejuízo. Por isso, às vezes a proposta não é ideal, mas acabamos aceitando para que não prejudique tanto os produtores", afirma o dirigente.

 


Veículo: Valor Econômico


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