Os 15 setores da indústria beneficiados pelo pacote de medidas representam cerca de R$ 194 bilhões do PIB industrial de 2011
Os 15 setores contemplados pelas medidas do governo são responsáveis por 20% da produção industrial nacional, o que equivale dizer que representaram em torno de R$ 194 bilhões do PIB industrial de 2011. Num exercício rápido, a pedido do Estado, o gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo, constatou também que esses segmentos respondem por, aproximadamente, 30% da oferta de emprego industrial do País.
"Esses setores, por exemplo, têxtil, vestuário, calçados, material elétrico, tiveram quedas bem importantes nos últimos meses", disse o técnico, explicando que algumas atividades são mais fáceis de serem identificadas, mas em outros casos os setores contemplados pelo governo estão tão desagregados que fica difícil identificá-los na Pesquisa Industrial Mensal (PIM).
Também no comércio exterior o peso dos setores beneficiados é significativo: 15% de todo o volume de vendas externas, segundo a Associação dos Exportadores do Brasil (AEB). Mas mesmo a parcela relevante não foi suficiente para que as medidas representassem uma mudança efetiva para o setor industrial, como frisou o presidente da entidade, José Augusto de Castro.
Para o economista Claudio Frischtak, presidente da Inter. B - Consultoria Internacional de Negócios, o grande problema do pacote é não enfrentar a questão estrutural da perda de competitividade. "O Brasil Maior é um plano de emergência, não um planejamento efetivo. Não trouxe o que a indústria precisa de capacitação de mão de obra, inovação e infraestrutura", critica.
Ele ressaltou que as iniciativas do governo não vão baixar o custo Brasil como um todo e é isso que faz a indústria pouco competitiva. "As fragilidades vão além do que o governo está olhando."
O economista Paulo Levy, do Ipea, esperava representatividade dos setores acima dos 20% calculados pelo IBGE. Mesmo assim, considera relevante. Observa, porém, que há um perigo latente na decisão do governo de centrar fogo para reduzir o custo da força de trabalho.
"Isso pode aumentar a demanda por trabalho no momento em que a economia está aquecida, o que pode agir no sentido contrário ao desejado pelo governo, já que pode significar um aumento salarial e a indústria tem muita dificuldade em repassar esses aumentos a seus preços", comentou.
Veículo: O Estado de S.Paulo