Denúncia apresentada ontem inclui nações como EUA, Japão, México e China
Vice-presidente da Argentina defende medidas, dizendo que país cuida do trabalho dos seus cidadãos
Um grupo de 40 países, incluindo Estados Unidos, Japão, México, China e membros da União Europeia, apresentou ontem na OMC (Organização Mundial do Comércio) uma denúncia contra as políticas protecionistas da Argentina.
"Expressamos em forma conjunta nossa contínua e profunda preocupação diante da aplicação de medidas restritivas ao comércio tomadas pela Argentina, que estão afetando negativamente as exportações de um crescente número de membros da OMC", diz o documento.
O texto critica ainda a "falta de transparência" das autoridades do país e chama a atenção para o fato de que as medidas geram "profunda incerteza" em investidores.
Nos últimos meses, a Argentina colocou mais barreiras para a entrada de produtos estrangeiros. As normas visam evitar a fuga de capitais, equilibrar a balança comercial e estimular a indústria local.
Em fevereiro, entrou em vigor uma lei que submete à Secretaria do Comércio Interior todos os pedidos de importação. Determina que eles devem ser feitos por meio de uma declaração, que é avaliada pelo órgão.
A palavra final sobre o que pode ou não entrar é do supersecretário Guillermo Moreno, funcionário da predileção da presidente Cristina Kirchner e com mais poderes do que muitos ministros.
A lei já provoca atraso na entrada de produtos. Há reclamações por parte das indústrias que dependem de peças importadas, principalmente a de automóveis, e de importadores em geral. Faltam alimentos, brinquedos, livros, remédios e até fraldas.
Os países do Mercosul, que não integram o documento da OMC, também têm reclamado das travas argentinas, Brasil incluído.
Em entrevista ontem ao canal 26, o vice-presidente, Amado Boudou, defendeu as medidas protecionistas. "É uma política que serve a todos os argentinos. Quando cuidamos na fronteira da entrada de algum produto, estamos na verdade cuidando do trabalho dos argentinos."
Sobre Moreno, disse: "Aqui não é Moreno sim ou Moreno não. Trata-se de uma equipe de trabalho em que o importante é a política de substituição das importações".
Veículo: Folha de S.Paulo