São Paulo - A intenção de contratação ficou 1 ponto percentual positivo em relação às projeções de demissão para o último trimestre de 2017, indica pesquisa da ManpowerGroup.
De acordo com o levantamento feito pela empresa que lida com contratação e gestão de pessoas, 12% dos empregadores pretendem efetuar contratações neste quatro trimestre, enquanto 11% planeja demitir funcionários. A maioria dos empresários (69%) não preveem mudança em seu quadro de trabalhadores até dezembro.
O índice de intenções de contratação permanece idêntico ao do trimestre anterior, mas é 8 pontos percentuais maior em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo o CEO da ManpowerGroup, Nilson Pereira, a maior parte dos contratantes diz não ter o objetivo de fazer qualquer alteração em seu corpo de funcionários no período, o que tende a significar mais a continuidade da indecisão da classe empresarial do que uma estabilização dos números verificados.
"Essa margem positiva tem a ver com a melhora da economia de um ano pra cá e com os setores que estão puxando para cima, como antes a agricultura; e agora, o comércio. É um momento de espera por causa das incertezas. Enquanto não tivermos uma definição do nosso quadro econômico e político, as empresas não irão se movimentar, que ainda estão fazendo uso de sua capacidade ociosa. Já vemos uma retomada do ritmo da economia, mas que ainda não se reflete nas contratações" diz.
Embora o resultado já tenha sido negativo (há um ano, o saldo entre contratações e demissões era de -7%), a vantagem de 1 ponto percentual não se torna necessariamente um motivo para comemorações.
"É muito pequeno diante da profundidade do desemprego, do aumento da população e da atual lentidão da recuperação econômica. Não é um indicador ruim mas, assim como outros, mostra que a economia está muito dissociada de qualquer ideia de retomada do crescimento atualmente. Há um movimento que indica a possibilidade de deixar de piorar a situação econômica, o que é diferente de melhorar", analisa o diretor do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), Anselmo Luís dos Santos.
O desemprego neste ano chegou na casa dos 13 milhões de pessoas, atingindo quase 13% da população. "Esse 1% de alteração é pouco o bastante para dizer que existe uma indefinição, o que não traz nenhuma segurança de que o nível de contratação aumentará. Pode ser até pior que no ano passado, porque hoje temos mais desempregados. Não há nenhuma reação que mostre que entraremos numa fase de melhoria no mercado de trabalho, e o que acontece hoje vai continuar pesando muito", continua Anselmo Luís.
O setor que apresentou maior crescimento nas intenções de contratação é o de comércio atacadista e varejista, com 11%, melhor indicador dos últimos três anos. O número também é 7 pontos percentuais maior que o do trimestre anterior e 17 pontos percentuais acima do mesmo período em 2016.
O setor que mais deverá demitir neste final de ano será o de transporte e serviços, que apresenta variação de -7%.
Os melhores indicadores de perspectiva de contratação vêm da cidade de São Paulo, com 5%, 16 pontos percentuais maior que o mesmo período no ano anterior. O inverso deve ocorrer no Rio de Janeiro, que marca 0% no trimestre. Em relação ao porte dos empregadores, as grandes empresas são o destaque, com 12%.
Reforma trabalhista
Fator que deve mexer fortemente com o mercado de trabalho, o impacto da reforma trabalhista (que entrará em vigor no dia 11 de novembro) nas intenções de contratação ainda divide os especialistas.
"Não sabemos o efeito que a reforma trabalhista vai causar na geração de emprego. As empresas estão estudando a reforma e como farão o uso dessa nova lei em relação à criação de empregos. A situação macro e a reforma serão os grandes fatores para a mudança do cenário. A flexibilização pode sim gerar emprego em médio prazo, e na medida que as empresa absorverem essas mudanças, vão criar postos a partir disso", aponta Nilson Pereira, da ManpowerGroup.
A segurança dessas novas contratações gerada pela reforma, no entanto, não é garantida. "A reforma trabalhista pode até diminuir contratações, se levarmos em conta que um funcionário com mais flexibilidade pode ter mais tempo de trabalho e mais funções para desempenhar, que hoje podem abranger mais de um trabalhador. Resultado disso diante da massa salarial e do consumo dela pode ser desastrosa futuramente", considerou Anselmo Luís da Silva, da Cesit.
Fonte: DCI São Paulo