O presente de Natal do cinegrafista Lucas Vieira, de 20 anos, chegou mais tarde este ano, mas por um bom motivo. “Economizamos R$ 400 no notebook por termos esperado passarem as festas para comprar”, diz ele. O aparelho que custava R$ 1.600 na época do Natal foi para R$ 1.200 na primeira semana do ano. “Valeu a pena esperar”, comemora.
Exemplos de promoções como esta podem ser encontrados em todo o varejo logo após o Natal. Os descontos chegam a até 90%, como é o caso do Saldão na Internet que oferece produtos que vão desde flores e pneus até os mais tradicionais como eletroeletrônicos e eletrodomésticos. A ação tem término previsto entre 15 e 20 de janeiro, dependendo da participação dos consumidores.
No caso do Carrefour, os descontos vão até 80% nos setores de bazar, eletro e têxtil e duram até terminarem os estoques de cada loja. Nas Casas Bahia, todas as linhas de produtos estão à disposição com descontos que podem chegar a 70% e também duram até o fim dos estoques. O consumidor pode encontrar na rede, por exemplo, TVs de LCD por R$ 599.
O advogado Erisvaldo Lima, de 56 anos, também esperou a época das liquidações para comprar sua TV. “Já encontrei uma TV de LCD por R$ 1.999, que estava R$ 2.399 na época do Natal”, conta. Mesmo assim, ele ressalta que sua pesquisa ainda não acabou. “Foi bom esperar o começo do ano para comprar minha TV. Mas ainda vou pesquisar mais.”
“A pesquisa é a melhor maneira de ter certeza se a promoção é realmente o que parece”, aconselha Cláudio Felizoni, coordenador do Programa de Administração de Varejo da Fundação Instituto de Administração (Provar-Fia). Segundo ele, as promoções deste início de ano são menores em comparação com o mesmo período de 2010. “Quanto melhor é o Natal para o comércio, menos necessidade as lojas têm de oferecer grandes promoções”, explica.
O consumidor deve ficar atento na hora da compra, pois nem toda a oferta é o que parece. “Um exemplo de promoção travestida é o preço quebrado (R$ 5,90 ou R$ 199,99). Esse artifício pode induzir a ideia que aquilo é promoção”, ressalta Felizoni.
Para o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), um super desconto de 70% requer atenção. “É preciso avaliar se o produto é novo de fato ou se não estava em mostruário, se possui os lacres de fábrica na embalagem e se está na garantia”, ressalta a economista do Idec Ione Amorim.
Além de prestar atenção nesses detalhes, o consumidor deve lembrar dos gastos tradicionais do começo do ano, como IPTU e IPVA. “Os meses de janeiro e fevereiro são caracterizados por um aumento da inadimplência justamente por essa falta de atenção”, destaca Felizoni, da FIA.
Uma boa forma de não cair no endividamento, segundo Ione Amorim, do Idec, é fazer a pergunta “Eu preciso do produto?”. “Muitas redes colocam alguns produtos estrategicamente em promoção e fazem o anúncio como se todos os produtos da loja estivessem com super descontos. Portanto, vá com calma.”
Veículo: Jornal da Tarde - SP