A crise financeira dos Estados Unidos e da Europa tem interferido no desempenho do agronegócio mineiro. De acordo com os dados divulgados pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), o Índice de Preços Recebidos pelos produtores (IPR) acumulou ao longo dos primeiros 10 meses queda de 6,62%. Já o Valor Bruto da Produção Agropecuária Mineira deverá crescer cerca de 3,4%, somando R$ 43,53 bilhões em 2012.
De acordo com coordenador da Assessoria Técnica da Faemg, Pierre Vilela, a crise financeira da Europa e dos Estados Unidos tem interferido na demanda pelos produtos do agronegócio, o que aumenta a oferta no mercado interno e promove a redução dos preços.
"A maioria dos produtos da agropecuária mineira, excluindo a soja, o feijão e o milho, tiveram ao longo do ano um desempenho menos expressivo quando comparado com os resultados de 2011. Um dos setores mais prejudicados foi o de carnes, uma vez que as exportações ficaram menores, os preços retraíram e os custos foram alavancados pela valorização dos grãos", disse.
Segundo os dados da Faemg, entre janeiro e outubro, o IPR recuou 6,62%, no acumulado dos últimos 12 meses a queda alcançou 7,08% e na comparação de outubro com setembro foi registrada redução de 1,34%.
Dentre os principais produtos pesquisados, a maior redução nos preços foi verificada na cultura da banana, que nos 10 primeiros meses do ano teve os preços reduzidos em 45,71%. O café principal produto do agronegócio mineiro também teve o resultado negativo, com recuo de 24,34% na cotação. Os preços pagos pelo algodão recuaram 12,06%. No segmento das carnes foi verificada queda de 1,72% nos preços do boi gordo.
Ao contrário dos produtos acima citados, foram verificadas altas nos preços da batata, 142,7%, seguida pela soja que valorizou 81,59%, abacaxi com alta de 38,46%, arroz com incremento de 11,19%, ovos com alta de 9,34% e milho que teve o IPR incrementado em 7,08%.
No acumulado dos 10 meses, a valorização também ocorreu nos preços dos suínos (3,82%) e frango (6,16%). Na comparação de outubro com setembro, houve valorização significativa nos preços do suíno, 12,15%, e do frango de 4,99%.
De acordo com Vilela, o resultado favorável destes produtos se deve, entre outros fatores, à demanda aquecida para o abastecimento das festas de final de ano, quando o consumo de carne aumenta significativamente. Além disso, com o prolongamento da seca, houve redução na oferta de boi gordo, o que contribui também para a valorização das demais carnes, uma vez que os preços são mais competitivos.
Em relação ao Valor Bruto da Produção Agropecuária Mineira é esperada alta de 3,4% nos resultados mineiros. O crescimento está atrelado ao bom desempenho da soja, feijão, milho, cana-de-açúcar e batata.
Soja - Os dados da Faemg apontam para um incremento de 37,2% na cultura da soja, o aumento significativo se deve basicamente aos preços do produto que ficaram 31,4% superiores aos praticados em igual intervalo de 2011. "A produção mineira da oleaginosa cresceu 4,4% e está avaliada em R$ 3,12 bilhões. De acordo com Vilela, a valorização da soja ocorreu devido à oferta limitada em um período de alta demanda, provocada pela seca nas principais regiões produtoras do mundo.
A cultura do feijão está avaliada em R$ 1,8 bilhão, incremento de 81,8% sobre o resultado de 2011. A alta se deve à redução da oferta observada após a primeira safra, uma vez que os preços não foram satisfatórios.
O VBP da cana-de-açúcar, segundo o levantamento da Faemg, está em 4,8 bilhões, alta de 10,3%. Valorização também foi observada na cultura da batata que acumula alta de 17,2%, avaliada a R$ 785 milhões.
Dentre os produtos da pecuária, somente os resultados do frango e dos ovos foram positivos, acumulando alta de 5,2% e 4,9%, respectivamente. Os demais itens tiveram recuo ao longo dos primeiros 10 meses de outubro. A maior queda foi observada nos resultados do boi gordo que teve o VBP reduzido em 7% e avaliado a R$ 4,053 bilhões. A produção de leite foi avaliada a R$ 7,3 bilhões, queda de 2,7%. Os resultados dos suínos se mantiveram praticamente estáveis com pequeno recuo de 0,8% e a atividade avaliada a R$ 1,3 bilhão.
Veículo: Diário do Comércio - MG