O inverno ainda não chegou oficialmente, mas o consumo de produtos propícios para esta época do ano já aumentou consideravelmente em Bauru. Com os termômetros batendo na casa dos dez graus nas últimas semanas, a demanda por alimentos que ajudam a aquecer o organismo já cresceu até 20% nos supermercados.
Mas, como o frio na cidade não costuma ser rigoroso e nem persistente, ainda não há registro de forte impacto nos preços da maioria dos itens. “Quando há alteração, as razões são outras, como a inflação ou problemas na produção, como o frio mais severo, que prejudica alguns tipos de hortifruti”, comenta o diretor regional da Associação Paulista dos Supermercados (Apas), Emerson Svizzero.
A principal alteração é registrada nos ingredientes da feijoada, notadamente aqueles mais específicos, como orelha e pé de porco, costelinha defumada e paio. “Como a venda é muito baixa durante o verão, a procura chega a quadruplicar nesta época. Então, essa pressão faz com que os preços subam até 20%”, observa Eduardo do Amaral, gerente de compras de uma rede supermercadista da cidade.
Outros ingredientes mais comuns, como a calabresa e o bacon, não sofrem tanta alteração de custo. “Mas as demais carnes, em geral, não registram elevação de preços unicamente por conta do consumo”, acrescenta.
Segundo Amaral, quando as temperaturas caem, os supermercados também contabilizam aumento na comercialização de achocolatados, leite, biscoitos, massas secas e frescas, queijos, pães, sopas e caldos em pó. O crescimento na demanda varia entre 5% e 15%, o mesmo acréscimo verificado nas vendas de grãos como feijão preto, feijão branco, ervilha e lentilha, entre outros. “Mas os preços permaneceram estáveis”, completa.
Hortifruti
Diretor regional da Apas, Svizzero explica que, com a aproximação do inverno, refrigerantes, sucos e cerveja dão lugar a cafés, chás e vinhos, que registram elevação na procura. Da mesma forma, há queda na comercialização de frutas e verduras, com aumento, em contrapartida, do consumo de legumes que podem ser cozidos ou refogados.
Com isso, itens da época como poncã, laranja, banana e mamão já podem ser encontrados a preços menores. Na rede gerenciada por Eduardo do Amaral, as folhagens também estão mais baratas.
“A alface americana, por exemplo, se desenvolve muito bem neste período do ano. Com a alta produtividade e queda na demanda, os preços também caem”, explica. Nas lojas da rede, o maço, vendido a R$ 3,50 há 15 dias, já pode ser adquirido por R$ 2,99 – uma redução de 15%.
Embora não mantenha relação direta com a chegada do frio, a variação no preço do tomate também é significativa. No ano passado, o quilo chegou a ser vendido a R$ 9,00 e, atualmente, sai por cerca de R$ 2,50.
De acordo com o gerente, legumes que passaram a ser mais consumidos - como batata, mandioca, mandioquinha, abobrinha, cenoura, beterraba, cebola – não sofreram reajuste de preços.
Já os vinhos, cujas vendas crescem cerca de 20%, estão, em média, 10% mais caros nesta época do ano.
Promoções
Para aquecer (com o perdão do trocadilho) as vendas, durante 15 dias, neste mês, a rede de supermercados gerenciada por Eduardo do Amaral selecionará um grupo de produtos típicos do inverno, que entrará em promoção. “Também temos ofertas, que mudam duas vezes por semana, em que incluímos alguns itens mais consumidos em dias frios. Vale a pena ficar atento para aproveitar os descontos”, orienta.
Veículo: Site JCNet