Setor que menos gera desgosto à economia gaúcha, a agropecuária deve receber mais investimentos em produtividade e tecnologia para garantir maior produção de alimentos. A projeção foi feita por autoridades legislativas e do governo estadual, entidades do ramo cooperativo e de produtores e empresas privadas e de pesquisa, no Fórum dos Grandes Debates, promovido pela Assembleia Legislativa. O evento tentou rastrear as carências no setor, mesmo que, pelo segundo ano consecutivo, esteja puxando o Produto Interno Bruto (PIB) estadual.
Medidas na área de crédito, que reduzam efeitos de riscos inerentes à atividade (o que inclui o clima), mais iniciativas em pesquisa, cuidados com a conservação do solo e capacitação de produtores foram listados na primeira etapa do evento, no anfiteatro Dante Barone. O que chamou a atenção na largada do fórum, pela manhã, foi a plateia acanhada, com algumas dezenas de pessoas na abertura e painel inaugural que tratou de novas tecnologias e desenvolvimento. O secretário estadual da Agricultura, Ernani Polo, atribui o baixo fluxo aos problemas recentes, com temporais e granizo que estão ocupando bastante quem está no campo.
"Isso impediu que muitos produtores viessem, mas temos um público qualificado de representantes aqui", amenizou o secretário, que projeta lançar em novembro um programa de recuperação das áreas de agricultura. A expansão de culturas, como a soja, tem elevado o grau de alerta sobre a reposição de nutrientes e medidas de rotação de culturas para restabelecer a capacidade de produção. "Precisamos fazer isso para garantir produtividade e proteger o meio ambiente", advertiu Polo. O presidente do Legislativo, Edson Brum, reconheceu o peso do PIB primário para a economia gaúcha e concordou que políticas na área de oferta de recursos, área fiscal e infraestrutura precisam de ação do próprio Legislativo.
Os riscos associados à atividade, destacou o secretário do Desenvolvimento Rural, Tarcísio Minetto, precisam ser amenizados por medidas como seguros, mas a tecnologia pode ajudar a "dar mais sustentabilidade e competitividade às cadeias produtivas". O chefe-geral da Embrapa Clima Temperado, Clênio Pillon, apontou que a ciência e a pesquisa foram a base para mais que dobrar a oferta de alimentos per capita entre brasileiros. "O Brasil passou de grande importador de alimentos a player mundial", frisou o representante da Embrapa, que indicou as novas barreiras, como formar mão de obra, amenizando o impacto da sucessão nas propriedades, para atuar no campo e saber analisar informações e aplicar conhecimento às culturas. "Está em curso uma mudança do padrão tecnológico, não só pelos recursos da agricultura de precisão, mas de como usar as informações. Cada vez mais, teremos sensores que controlam tudo na lavoura", exemplificou Pillon. O presidente da Yara Brasil, Lair Hanzen, frisou o desafio do País em conseguir assumir a liderança na produção de alimentos. Segundo estimativa das Nações Unidas, o mundo deve dobrar a demanda por grãos até 2050.
O executivo indicou que o uso de fertilizantes, que é o segmento de atuação da multinacional, com sua matriz brasileira no Estado, é o grande propulsor para suprir a necessidade de alimentos. "O mineral é a comida da planta, e o Brasil caminha para ser o celeiro do mundo", aposta o presidente da Yara. O presidente do Sescoop, Vergílio Perius, destacou que a tecnologia foi decisiva para o desempenho do setor e citou ações pioneiras do setor cooperativo, como a Expodireto.
Veículo: Jornal do Comércio - RS