O Bottling Investiment Group (BIG), o guarda-chuva que abriga as engarrafadoras próprias da Coca-Cola Company, de Atlanta (EUA), não só irá manter como até ampliar os investimentos já anunciados para o Nordeste, apesar da crise financeira internacional. Ontem, na inauguração da nova linha de produção da Coca-Cola Guararapes, em Suape, Pernambuco, o diretor para a Ásia e a América Latina do BIG, Steve Buffington, revelou que, até 2010, serão investidos R$ 250 milhões nas quatro fábricas da Guararapes e nos cinco centros de distribuição instalados em Pernambuco, Paraíba e em Irecê, no sertão da Bahia. Outros R$ 150 milhões serão destinados à Norsa, a engarrafadora cearense em que o BIG é sócio do grupo Tasso Jereissatti, responsável pelos mercados do Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte e Piauí. O investimento inicial previsto para a Coca-Cola Guararapes, uma das 25 melhores fábricas da Coca-Cola no mundo, era de R$ 170 milhões mas foi ampliado em função da aposta do BIG no cenário regional.
"A operação cresceu em tamanho de negócio, faturamento e na atuação junto à comunidade, dobrando de tamanho em cinco anos e vimos aí uma oportunidade de continuar investindo", informou o presidente da Coca-Cola Guararapes, Luis Delfim Oliveira.
A capacidade de produção das quatro fábricas cresceu 40% e, partir de fevereiro de 2009, quando atingir 92% de eficiência, passará para 850 milhões de litros por ano. O volume será distribuído em Pernambuco, Paraíba e a região de Irecê, em 61 mil pontos de venda. A aposta do BIG revela a confiança da Coca-Cola Company na superação da crise com a estratégia, consolidada na diversificação do mix com a compra da fabricante mexicana de sucos Del Vale, entre outras, de tornar-se uma empresa total de bebidas. "Estamos num ótimo negócio, com boas perspectivas", afirmou Buffington. "A crise não chegou ao nosso mercado de consumo", completou Delfim. No ano passado, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Refrigerante (ABIR), o mercado de refrigerantes do Nordeste caiu 3%, enquanto a Coca-Cola registrou um crescimento de 9% na região. Para 2008, a estimativa é de um aumento entre 5% e 6% no consumo de bebidas entre os consumidores nordestinos, mas a previsão continua inferior à da Coca-Cola, de crescer 8% este ano. Para 2009, a história é outra e o otimismo dá lugar à cautela. Apesar dos investimentos voltados para o aumento da demanda, Luis Delfin prevê um crescimento de 5%, o menor dos últimos cinco anos.
"Acreditamos que a crise vai ficar do lado de fora, mas estamos mais cuidadosos no planejamento. Vamos ser mais seletivos na definição sobre lançamentos de produtos, marcas, mas não deixaremos de assumir riscos, só que um pouco menos. Se não fosse a crise, estaríamos crescendo no mesmo patamar", declarou.
No resto do mundo, a expectativa também é de desaceleração. De acordo com Steve Buffington, em 2008 a Coca-Cola terá um crescimento global de 5%, que não deverá ser repetido no ano que vem. "Globalmente devemos crescer entre 1% e 2%. Nos mercados da Ásia e da América Latina deve ser mais forte", afirmou. Segundo Buffington, os Estados Unidos, a Europa e o México, que perderá recursos enviados pelos mexicanos que trabalham em território americano, sofrerão o maior impacto da crise financeira internacional.
Veículo: Gazeta Mercantil