Crise em unidades paulistas, devido à falta de boi no mercado para abate, não chegou ao Estado.
Na contramão da crise que passa alguns frigoríficos paulistas, que iniciaram o processo de férias coletivas e, em alguns casos demissões, devido à falta de boi gordo no mercado para abate, em Minas Gerais a situação está sob controle. De acordo com o diretor executivo da Associação de Frigoríficos de Minas Gerais, Espírito Santo e Distrito Federal (Afrig), Antônio Jésus Pena, o empresariado mineiro é mais resguardado ao agir com menor agressividade e mais cautela, além do mais o Estado não é forte exportador de carne processada.
Mesmo assim, o setor pecuário passa por um longo ciclo de entressafra no país, e a situação não é diferente em Minas, com baixa oferta de animais, devido ao abate desenfreado de matrizes nos anos anteriores.
Nos últimos três anos houve um abate muito grande de fêmeas e a recomposição do rebanho se dará apenas no final de 2009. Em função da pouca oferta, os preços da arroba do boi estão em alta no mercado. "O momento atual é de retenção de fêmeas para geração de bezerros", salientou.
De acordo com o dirigente, a previsão feita pela entidade é a de que até 2010 o rebanho nacional esteja recomposto, oferecendo maior oferta de carne no mercado. "O abate das fêmeas ocorreu por causa da defasagem nos preços da carne bovina, uma vez que os produtores precisaram comercializar maior volume para pagar as dívidas. Essa situação acabou causando desequilíbrio no setor pecuário", observou.
Preços - Em Minas, existem grandes variações de preços, de acordo com cada região. Na Zona da Mata, por exemplo, a cotação do boi gorda é menor, já na região do Triângulo Mineiro os preços são melhores, mais em função de rastreamento de animais.
Na Capital, Norte de Minas, Rio Doce e Sul de Minas a arroba está sendo comercializada entre R$ 83 e R$ 85. No Triângulo Mineiro, os preços estão entre R$ 85 e R$ 86. Enquanto isso, em São Paulo a arroba gira entre R$ 92 e R$ 93.
De acordo com Pena, durante o período de entressafra, que vai até dezembro, os frigoríficos mineiros conseguirão manter as atividades. Segundo ele, em Minas Gerais ainda não ocorreram demissões nem fechamento de unidades. "Temos poucos animais disponíveis, mas ainda não representa um cenário de escassez. Os frigoríficos estão trabalhando com uma ociosidade grande, que pode chegar a 40% neste momento de entressafra", ressaltou.
Veículo: Diário do Comércio - MG