O Banco Central (BC) divulgou ontem uma alta de 0,57% no Índice de Commodities do Brasil (IC-Br) ante o registrado em dezembro do ano passado. Segundo dados da autoridade monetária, o setor agropecuário foi o que mais contribuiu para a expansão, registrando alta de 0,54% ante última análise. Também ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou que o Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI), pressionado pelo IC-Br, teve expansão de 0,30%. Para o professor Adriano Gomes, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), o crescimento é esperado e pontual.
O composto do índice de commodities subiu de 124,34 pontos, em dezembro de 2011, para 125, 0,5 pontos no mês passado . O setor agropecuário registrou 138,07 pontos ante 136,96 pontos na última sondagem e a categoria metal 113,25 pontos ante 109,72 pontos no último período. O setor de energia foi o único que teve queda em janeiro passando de 92 pontos em dezembro para 88,62 pontos no mês passado.
O professor da ESPM afirma que "todo ano ocorre este fenômeno de uma pressão mais intensa [do preço] da carne, do trigo, da soja", entre outros. Fatores climáticos, como a seca na Região Sul do País são apontados por ele como agentes da alta.
Muitos analistas acreditam que pode haver uma queda no preço das commodities, já que este tipo de produto registrou expansões elevadas no último ano. Gomes discorda desta análise por três motivos. O primeiro é o clima, na opinião do professor há uma grande probabilidade de prolongamento da estiagem.
O segundo motivo é a recuperação dos Estados Unidos. Ele acredita que "nos últimos meses tem-se observado indicadores que mostram o restabelecimento do rigor da economia americana, como o nível de emprego". O último fator que o professor afirma que pode influenciar a alta dos preços das commodities é a China, "todos apostavam na estagnação do crescimento chinês, mas houve uma alta do indicador", completou.
Apesar da importância desses produtos na cesta de compras do Brasil o professor não acredita que essa "inflação de alimentos" possa pressionar a inflação final durante este ano. "Eu vejo [como um fenômeno] meramente pontual, não tem nada de prolongamento para o ano inteiro, a pressão inflacionária dos alimentos é pontual", completou.
O IGP-DI registrou alta de 4,29% no acumulado em doze meses até janeiro. A alta do mês representa uma aceleração expressiva, já que em dezembro registrou deflação de 0,16%. Dos três indicadores que compõem o IGP-DI de janeiro, o de Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI) subiu 0,01%, após cair 0,55% em dezembro. Por sua vez, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI) teve aumento 0,81%, após subir 0,79% no mês anterior. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) aumentou 0,89%, em comparação com a alta de 0,11% no último mês de 2011.
Sobre o IGP-DI os analistas também apontam alta temporária. "Os resultados de fevereiro devem mostrar algum arrefecimento em relação ao observado no dado de hoje, isso porque esperamos desaceleração gradual dos preços agrícolas, assim como dissipação dos efeitos do reajuste de Educação sobre o IPC", afirma o Bradesco em Boletim Diário Matinal distribuído a clientes e à imprensa.
Para o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getulio Vargas (FGV) , Salomão Quadros, "o IGP-DI deixou a deflação para trás. Mas isso não deve ser entendido como o início de um novo ciclo de alta", afirmou. "A maioria dos fatores que justificam esta alta é de natureza temporária", acrescentou o especialista da FGV.
O professor da ESPM acredita que os índices podem continuar a subir até o final do primeiro trimestre de 2012. Para ele "um ponto que fica acobertado na inflação é o custo financeiro de se produzir no Brasil, as altas taxas de juros, principalmente a Selic [taxa básica de juros], provocam a inflação de custos. Temos uma alta pressão inflacionária pelas taxas de juros que as empresas absorvem", completou o especialista.
Veículo: DCI