Junto com China, Tailândia, Vietnã, Malásia e Coreia do Sul, o Brasil voltou a ser alvo de investigação de dumping por parte do governo argentino. A indústria brasileira de fios de polipropileno, usados na fabricação de lonas e colchões, está sob suspeita de praticar preços mais baixos do que os de mercado em suas vendas ao vizinho. A China, por sua vez, é investigada pelos valores de suas roupas e os demais países, por causa dos aparelhos de ar-condicionado.
A decisão, assinada pelo secretário de Indústria, Eduardo Bianchi, foi publicada pelo Diário Oficial na terça-feira, a pedido de três empresas argentinas. Segundo a publicação, houve forte queda na produção local de fios de polipropileno e há provas de que essa retração tenha sido provocada pelas importações desse produto do Brasil, que é mais barato. O secretário-executivo do Ministério de Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior (MIDC), Ivan Ramalho, foi previamente informado da investigação, durante encontro entre ministros em Buenos Aires, no dia 5 passado, segundo a Secretaria de Indústria.
No ano passado, as importações argentinas de roupa infantil caíram 45%, por causa do licenciamento não automático, segundo dados da Câmara de Roupas Infantis. Os empresários locais pediram à ministra de Indústria, Débora Giorgi, que reforce a proteção desse tipo de confecção e que investigue suposto dumping de ternos, blazers e conjuntos para homens e crianças. Seis empresas da Câmara Industrial Argentina de Confecção, responsáveis por 50% da produção nacional, acusam a China de prática desleal de comércio.
No que diz respeito aos aparelhos de ar-condicionado, a Secretaria de Indústria explicou que existe uma margem de dumping de 231% para os de origem tailandesa; 54% para os que são importados do Vietnã; 95% para os da Malásia e 46% dos coreanos. As três resoluções argumentam que o governo possui provas de que a indústria local está sendo prejudicada pelo comércio desleal.
Os governos do Brasil e da Argentina voltam a se reunir hoje e amanhã, em Buenos Aires, porém o assunto não deve entrar na pauta, pois o objetivo é avançar em um esquema de complementação produtiva. A primeira ação concreta nesse sentido vai partir do secretário Bianchi, que vai entregar ao secretário de Comércio Exterior do MIDC, Welber Barral, uma lista de pequenas e médias empresas argentinas que pretendem ser fornecedoras da Petrobras e Petro-Sal.
O setor de petróleo e gás é o primeiro da lista de oportunidades de integração das cadeias de produção de ambos os países. Uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), divulgada em setembro de 2009, mas apresentada ao governo argentino há cerca de duas semanas, aponta outros setores com possibilidades de complementação: Aeronáutica; Mineração; Indústria Naval; Equipamentos Ferroviários; Autopeças; Software; Biocombustíveis e Construção Civil.
O estudo foi encomendado pelo presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Reginaldo Arcuri, que se encarregou de realizar, pessoalmente, várias apresentações aos argentinos, tanto no setor público quanto no privado. "A complementação produtiva é a melhor solução para minimizar as tensões comerciais e desenvolver as indústrias de ambos os países", disse Arcuri, durante reunião ministerial bilateral no dia 5.
Arcuri explicou que a diferença deste "novo impulso" que o governo brasileiro quer dar à integração da cadeia de produção com o sócio tem uma base mais sólida. "Agora é diferente porque temos um estudo profundo sobre setores, cujo potencial de negócios conjuntos ainda não tem sido explorado pela iniciativa privada", detalhou.
Veículo: Jornal do Commercio - RJ