Enquanto isso, a safra atual deve mesmo fechar com quebra de 15%, e não ultrapassa os 1,75 milhão de t. Para 2012 a expectativa é de uma colheita de 2 mi de t.
A área a ser cultivada na safra 2011/2012 de algodão ainda é uma incógnita para o setor, visto que os altos preços pagos pela soja e pelo milho limitam a concorrência do produto. Entretanto a produção deve de fato ultrapassar a casa dos 2 milhões de toneladas na próxima colheita, dado que o plantio será realizado dentro do período correto, afirmaram especialistas do setor.
Os produtores de algodão do País ainda estão às voltas com a calculadora para saber se reduzem ou não a área de algodão para a próxima safra. A dúvida se dá pelos atuais preços de venda de grãos como a soja e o milho, que disputam diretamente com o algodão a época de plantio.
Na fazenda Santa Clara, em Turvelandia (GO), o produtor rural Aroldo Cunha não irá esperar mais e programou reduzir a sua área atual de cotonicultura de 1,8 mil hectares, para aproximadamente 1,5 mil. "Acredito que teremos uma leve redução de área. Ainda temos uns dois meses para decidir, mas aposto nessa redução por conta dos bons preços de soja e milho", disse ele. "Plantei este ano 1,8 mil hectares, e na próxima safra passarei para 1,5 mil, para plantar soja, e depois o milho safrinha", garantiu.
Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) , Sérgio De Marco, ainda é cedo para avaliar se o setor terá ou não redução em sua área. "Podemos ficar 5% maiores ou menores em área", avaliou. Entretanto, para ele a produtividade maior é uma certeza. "A produção será maior com certeza, pois o produtor não plantará fora da janela ideal para o plantio como foi visto no ano passado. E na próxima safra a produção pode superar a casa dos 2 milhões de toneladas de algodão."
Para a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), a safra 2011/2012 deve superar a colheita atual, com os produtores sendo mais seletivos na escolha de áreas mais produtivas. "Ainda é cedo para afirmarmos o tamanho da área, temos que esperar como estarão os preços da soja e do milho. Mas com a mesma área e uma produtividade boa, podemos chegar sim a dois milhões de toneladas de produção", contou Marco Antônio Aluisio, vice-presidente da Anea.
Com uma área de 1,38 milhão de hectares nesta safra, um plantio tardio, e problemas climáticos, a expectativa inicial sobre a produção de algodão desse ano, não supera a marca de 1,75 milhão de toneladas, afirmou De Marco. Já as vendas dessa produção estão muito avançadas, e atingiram mais de 90%. "Já vendemos mais de 90% dessa safra, entre exportação e o mercado interno".
Segundo o executivo da Anea, com um consumo mais lento, devido a concorrência desleal dos produtos acabados do exterior que entram no Brasil, a expectativa é de um estoque de passagem de 500 mil toneladas. Considerando um consumo de 900 mil toneladas, uma produção de 1,8 milhão de toneladas, exportações na casa dos 600 mil toneladas, e importações de 150 mil toneladas. "Prevemos um consumo menor de algodão pela industria têxtil brasileira, dado a concorrência de produtos importados, o cambio, e por falta de competitividade de nossa industria em relação aos produtos asiáticos. Com isso estaremos abastecidos no próximo ano no período de entressafra", disse Aluísio.
Importações
De janeiro a agosto as importações brasileiras de algodão foram de 141 mil toneladas, crescimento de 400% ante o mesmo período de 2010. O volume maior neste ano se deu por conta da incerteza do setor em relação à produção nacional, que resolveu pedir ao governo federal a retirada do imposto sobre a importação para abastecer o mercado interno. "Como no ano passado tivemos uma quebra de safra, e a demanda estava bastante aquecida, o mercado ficou com receio de desabastecimento e solicitaram ao governo que o imposto sobre a importação fosse retirado. Com isso importamos uma quantidade maior, e acalmamos o setor", frisou o analista de mercado Élcio Bento, da Safras & Mercado.
Veículo: DCI