A Klabin, maior fabricante e exportadora de papéis do Brasil, espera um crescimento de 30% das exportações de papel cartão em 2009, para 130 mil toneladas. Segundo o diretor comercial da área, Edgard Avezum, mesmo com a perspectiva de recessão nos países desenvolvidos, as vendas externas da companhia poderão crescer por causa da desvalorização cambial e da expectativa de que as vendas dos produtos não-duráveis sejam menos afetadas do que os duráveis. Segundo ele, os mercados de alimentos e bebidas, que consomem grande parte das embalagens produzidas no mundo, devem sentir menos a retração da demanda. A maior aposta da Klabin são as vendas para os países desenvolvidos.
"Veja o exemplo do que está ocorrendo com o restaurantes na Europa. Há uma migração das pessoas que frequentavam restaurantes e quem, com a crise, passaram a comer no McDonald´s. Movimento semelhante vai ocorrer no consumo de bens duráveis e não duráveis. Haverá uma 'migração' do consumo de duráveis, para os não duráveis". Segundo o argumento de Avezum, setores como o de alimentos e de bebidas são menos afetado pela crise porque são produtos essenciais. "Os consumidores europeus estão deixando de sair a bares e restaurantes para consumir em casa e por isso compram mais produtos em supermercados que exigem papel em suas embalagens", completou Avezum.
O diretor da Klabin informou que o comportamento do dólar tem afetado as estratégias da companhia, principalmente em relação às exportações para os países desenvolvidos. "Quando começamos a exportar, nosso objetivo era exportar as mesmas quantidades para União Européia e Estados Unidos, cerca de 100 mil toneladas para cada mercado. Mas o período de desvalorização do dólar nos fez dar prioridade paras vendas voltadas para a euroopa. Nos últimos meses, no entanto, o movimento se inverteu, e o dólar ganhou força. Agora, a nossa expectativa é que haja um reequilibrio, com as vendas externas para os americanos voltando a crescer".
Em relação ao mercado interno, a expectativa da empresa, segundo Avezum, é de também atingir vendas de 130 mil toneladas em 2009, com o mesmo percentual de expansão de 30%. A aposta em relação ao mercado brasileiro também está baseada num menor consumo de duráveis, segmento amplamente afetado pelo restrição ao crédito. As pessoas deixarão de comprar eletrodomésticos e veículos, mas não deixaram de adquirir alimentos.
Pepsi. O diretor comercial também informou que a Klabin firmou recentemente uma parceria com a Pepsi americana para fornecer papel cartão para a empresa de bebidas nos Estados Unidos. O acordo foi firmado há cerca de 45 dias e prevê o fornecimento de 40 mil toneladas de um tipo de papel cartão desenvolvido recentemente pela Klabin. O produto mantem as mesmas características dos fabricados nos seus concorrentes, porém tem uma gramatura menor, por isso é mais barato.
Veículo: Jornal do Commercio - RJ