A Agropalma, maior produtora de óleo de palma (dendê) do país, começa esta semana a colocar no mercado brasileiro sua primeira linha de gorduras vegetais com certificação de sustentabilidade da produção. O produto será destinado a frituras do segmento "food service", e é o primeiro de um portfólio de gorduras que a companhia do Pará pretende lançar nos próximos anos.
Com faturamento de R$ 670 milhões em 2012 e uma produção de 320 toneladas de óleos por dia, a Agropalma decidiu explorar o mercado premium de matérias-primas certificadas, que começa a despontar no país. "As coisas demoram a chegar no Brasil, mas chegam", afirma Marcello Brito, diretor comercial da empresa, controlada pelo Grupo Alfa, do ex-banqueiro Aloysio Faria.
Segundo Brito, neste primeiro momento serão produzidas 6 mil toneladas de gordura vegetal por ano na refinaria da empresa em Tailândia, no Pará. Mas a ideia é expandir a produção com a nova unidade que está sendo construída em Limeira (SP), de forma a atender a região Sudeste, o maior mercado consumidor do país. A expectativa é que a refinaria paulista comece a operar no início de 2015, com capacidade de produção de cerca de 450 toneladas por dia de óleos ou gorduras.
"Hoje, em função das distâncias e do consequente custo, a empresa não consegue atender o Sul do país e o Mercosul, devido à baixa frequência de rotas de navios nos portos do norte do Brasil", diz Brito. "Por isso, por enquanto vamos aproveitaremos o nosso canal de distribuição para o Sudeste para escoar o produto".
A construção da planta em Limeira faz parte de um pacote de investimentos de R$ 300 milhões da Agropalma para a consolidação da cultura da palma no Brasil.
O diferencial da companhia, diz o executivo, ainda são as certificações. Além do selo RSPO, de palma sustentável, a nova gordura vegetal, que será vendida sob a marca Doratta Fry, levará na embalagem o "Fritura Limpa", que garante a ausência de solventes e químicos no processo fabril.
Segundo Brito, para cada tonelada de óleo bruto certificado paga-se, hoje, um prêmio de US$ 25 no mercado internacional - metade da produção da empresa vai para a Europa. No caso dos óleos refinados, que incluem as gorduras vegetais, a tonelada sai por US$ 50 a mais.
No Brasil, as empresas de alimentos começam a exigir certificações de sustentabilidade de seus fornecedores, a fim de ter toda cadeia produtiva rastreada. E é esse movimento que a Agropalma quer aproveitar. "Temos um cliente que faz chocolates só com matéria-prima certificada. Vemos uma tendência de outras empresas a fazer o mesmo".
Para os próximos anos, a companhia quer ampliar a "família" de gorduras para as área de panificação, sorvetes e coberturas, entre outras. "Estamos estudando as opções. Devemos começar a atender o mercado de panificação no primeiro trimestre de 2014".
Desde 2005, o óleo de palma superou o de soja como o óleo vegetal mais comercializado no mundo. Usado sobretudo em alimentos e cosméticos e tradicional na Ásia, o óleo de palma representou quase 30% de todos os óleos vegetais comercializados em 2012.
No segmento de gorduras vegetais, a Agropalma irá disputar um mercado potencial estimado de 100 mil toneladas por ano. Hoje, grandes grupos, como Cargill e Bunge, atuam no setor. Procuradas, as empresas não quiseram revelar detalhes sobre o negócio.
Veículo: valor Econômico