Neste ano, os passos das principais redes de vestuário do País rumo à expansão serão bem mais lentos, apesar dos resultados positivos apresentados nos balanços de 2008. A redução nos investimentos, a corrida para adotar novas estratégias de marketing e a estruturação dos processos logísticos serão as principais metas para se adequar à nova realidade macroeconômica de players como Lojas Renner, Riachuelo, Lojas Marisa, Leader Magazine e Grupo Caseli.
Vice-líder no segmento, a gaúcha Renner não vê um quadro animador para este ano. Depois de contabilizar queda de 5,4% nas vendas entre os meses de outubro e dezembro nas unidades com mais de um ano de funcionamento, a varejista decidiu diminuir os investimentos programados para 2009. Serão destinados no máximo R$ 80 milhões para a abertura de oito novas lojas, enquanto no ano passado foram investidos R$ 137 milhões, sendo R$ 84 milhões aportados na abertura de 15 lojas.
Os planos foram detalhados por José Carlos Hruby, diretor Administrativo e de Relações com Investidores, este mês, na divulgação dos resultados da empresa. No caso da concorrente Lojas Marisa, o mesmo foi sinalizado, visto que serão direcionados R$ 15 milhões para a abertura de seis novos pontos-de-venda, contra os 16 abertos no ano passado
Na avaliação de Rafael Cintra, analista da Link Investimentos, o ritmo de demissões foi acima do esperado e este fator fez com que a confiança do consumidor despencasse. "As pessoas passaram a priorizar alimentos e bebidas, fazendo com que o vestuário desacelerasse", comenta. O primeiro semestre será difícil para as empresas e o cenário só deverá melhorar mesmo no início de 2010.
Cintra aponta de que a prioridade para o segmento será fortalecer o caixa para enfrentar a falta de crédito que acomete o mercado. "Empresas com baixo grau de endividamento e finanças equilibradas, como Renner e Cia Hering serão beneficiadas", afirma. Ele analisa também que por terem operações de financiamento, Renner e Riachuelo poderão ver o índice de inadimplência subir. Já a Hering, que tem cartão de crédito em parceria com a Losango, sai na frente por dividir metade das perdas com a financeira.
Reestruturação
A Guararapes Confecções S.A., controladora da Lojas Riachuelo deu neste ano um passo importante na batalha pela participação no mercado: a contratação da agência Bigman, presidida por Ralph Choate, que durante 20 anos foi responsável pela comunicação da C&A. Segundo o executivo, a primeira fase deste trabalho será visto em abril, quando as 101 lojas da cadeia nascida em Pernambuco ganharam uma nova comunicação, que destaca as peças básicas conhecidas como "Vale a Pena". Ainda para atrair o público jovem, será relançada no Dia dos Namorados a linha de produtos da marca Pool.
Igualmente aos concorrentes, a Riachuelo afirmou que, em função da mudança no cenário econômico, está revendo o plano de investimento de 2009 para implantação de novas metas. Em 2008 foram abertas nove lojas, e o presidente Flávio Rocha chegou a mencionar planos de abrir outras 25, apenas este ano. Até o momento, três já estão confirmadas.
Médio porte
Entre as redes de médio porte a cautela é um pouco mais acentuada. A carioca Leader Magazine, por exemplo, abrirá as portas de no máximo seis novas filiais este ano.
"A crise já atingiu os resultados da nossa companhia, verificamos que o tíquete médio e o número de peças vendidas por clientes diminuiu", diz Fernando Borges, diretor da varejista. A expectativa para o primeiro trimestre não era tão boa, mas surpreendentemente está um pouco melhor que as previsões. Depois de registrar crescimento de 14% em 2008, a Leader vislumbra alcançar este ano um faturamento de R$ 850 milhões.
Outra empresa, o Grupo Caseli, um dos maiores varejistas de vestuário da Região Centro-Oeste, dono das marcas Lojas Avenida e Giovanna Calçados, composto por 70 lojas, está bastante cético para este ano. "Foram reduzidas todas as perspectivas de vendas para este ano, pois o desempenho não está satisfatório. Prevemos obter crescimento de 10%", avalia Christian Caseli, acionista do Grupo Caseli. Ele explica que as inaugurações estão suspensas até que o mercado sinalize alguma recuperação.
Veículo: DCI