A criação da Fitesa Fiberweb a partir da união da Fitesa, controlada pelo grupo gaúcho Petropar, e dos ativos da inglesa Fiberweb na América do Norte vai permitir a manutenção dos planos de crescimento dos sócios no mercado americano de não-tecidos para descartáveis higiênicos sem provocar um excesso de capacidade instalada na região. A joint venture será a responsável pela construção da nova fábrica já programada pela empresa brasileira na Carolina do Sul (EUA), que deve entrar em operação no quarto trimestre do ano que vem, disse o diretor-presidente da Petropar, Geraldo Enck.
Cada sócio tem 50% de participação na joint venture e o diretor da Fitesa, Silvério Baranzano, será o diretor-presidente da nova empresa, enquanto a indicação do diretor financeiro caberá à Fiberweb. Segundo ele, a nova unidade nos Estados Unidos será construída em duas etapas. A primeira será concluída em 2010, com investimentos de US$ 70 milhões em uma linha com capacidade para 22 mil toneladas por ano. A segunda fase deve operar em meados de 2012, com mais 20 mil a 22 mil toneladas de capacidade anual e aportes adicionais de US$ 50 milhões.
As empresas somaram faturamento de US$ 191,7 milhões em 2008, sendo 49,9% por conta da Fitesa, informou Enck. A geração de caixa (lajida) foi de US$ 22,9 milhões e o número de funcionários alcança, hoje, 365. Para 2009, a previsão de vendas é de US$ 202 milhões. De acordo com Baranzano, a joint venture é a segunda maior fabricante independente de não-tecidos com a tecnologia "spunbond" das Américas, atrás da PGI, dos Estados Unidos.
Conforme Enck, a Petropar entrou na associação com a fábrica de Gravataí, no Rio Grande do Sul, com capacidade de 45 mil toneladas por ano, e o investimento inicial de € 5,8 milhões na compra de máquinas para a nova unidade americana. A Fiberweb colocou no negócio suas operações de descartáveis higiênicos em Washougal, no Estado de Washington, com 13 mil toneladas/ano de capacidade, e em Queretaro, no México, capaz de produzir 20 mil toneladas/ano. Incluiu ainda um prédio em Simpsonville, na Carolina do Sul, que poderá sediar a nova fábrica.
Baranzano disse que a associação vai facilitar o desenvolvimento de produtos para clientes globais como Procter & Gamble e Kimberly-Clark. O negócio também reforça os planos de internacionalização da Fitesa e abre o mercado sul-americano para a Fiberweb, que ainda tem fábricas na Europa e na Ásia, explicou o executivo. Segundo ele, o mercado latino-americano de não-tecidos chega a 140 mil toneladas por ano e cresce num ritmo anual de 10%. Na América do Norte, o consumo alcança 550 mil toneladas por ano e cresce a uma taxa anual de 2%.
Veículo: Valor Econômico