O mercado reforçou as apostas na direção contrária à visão, divulgada na ata da última reunião do Banco Central, de que a inflação tende a convergir para a meta estipulada pelo governo, de 4,5%. De acordo com a pesquisa Focus, realizada pela autoridade monetária com analistas de mercado, a mediana das estimativas para o IPCA de 2011 voltou a subir, passando de 4,85% para 4,9%. O patamar, portanto, distancia-se ainda mais do centro da meta. A expectativa para os próximos 12 meses também cresceu, de 5,03 para 5,06%, pela terceira semana consecutiva.
As mudanças ocorrem na esteira da divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic em 10,75% ao ano. O documento do BC, divulgado quinta-feira, sinalizou que as projeções realizadas com seus modelos se reduziram desde o encontro anterior e que a "convergência da inflação para o valor central da meta tende a se materializar". A pesquisa Focus, no entanto, mostra que os analistas não estão tão otimistas quanto a autoridade monetária.
Como consequência dessa visão mais pessimista, os economistas elevaram também a perspectiva para a Selic no fechamento de 2011, de 11,5% para 11,75% ao ano. Com isso, esperam um novo ciclo de alta, começando ainda no primeiro trimestre do ano, logo no início do mandato do próximo presidente da República e sob supervisão de uma nova diretoria da autoridade monetária. Para este ano, a expectativa é que o aperto monetário tenha de fato se encerrado em 10,75%, com 200 pontos-base de elevação.
Para Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora, a ata do Copom sinalizou de forma clara a manutenção da taxa básica de juros nos próximos meses, sobretudo em função das projeções implícitas de inflação. Apesar disso, o documento do BC, lembra Velho, também ressaltou o risco de alta dos preços do atacado. "Caso essa 'alta' comece a ficar acima das expectativas, sobretudo o seu impacto no varejo, aumentará a probabilidade nova alta da Selic em 2011", diz o economista.
Para este ano, pela primeira vez desde março, a expectativa para o IPCA feita pelos analistas e economistas que respondem ao Boletim Focus ficou abaixo de 5%. Segundo a mediana das projeções, o índice oficial do sistema de metas deve fechar o ano em 4,97%. Na semana anterior, as apostas estavam em 5,07%, e em 5,19% há um mês. Para o IGP-DI de 2010, o prognóstico saiu de 8,43% para 8,91% de alta. Também foi elevada a expectativa para o IGP-M deste ano, de 8,71% para 8,79%. No caso do IPC-Fipe, foi conservada a previsão de 4,90% de acréscimo
Com relação ao crescimento da economia, as projeções sofreram nova rodada de ajustes para cima, seguindo os dados do PIB do segundo trimestre divulgados pelo IBGE, que vieram acima do esperado. Os analistas acreditam em expansão de 7,42% da economia neste ano, acima dos 7,34% da semana passada e dos 7,09% de um mês atrás. Para o próximo ano, a mediana das estimativas permanece estável em 4,5%, há 40 semanas.
Para o câmbio, as expectativas continuam apontando para baixo. A cotação esperada para este ano voltou a cair de R$ 1,79 para R$ 1,77. Para 2011, passou de R$ 1,83 para R$ 1,81.
Veículo: Valor Econômico