A temperatura chegou a 31,7°C na tarde de ontem em São Paulo, a mais alta deste inverno, segundo o serviço de meteorologia Climatempo. O recorde anterior ocorreu na segunda-feira, com 29,9°C. Tamanho calor em pleno inverno e a baixa umidade do ar, que têm assolado toda região Sudeste, parte do Sul e Centro Oeste do país, provocaram uma corrida de consumidores em busca de produtos para aliviar os males do clima. Umidificadores, água mineral, sucos, cerveja, hidratantes para a pele e sprays nasais registram aumentos expressivos de vendas, em relação a meses mais úmidos.
As vendas de umidificadores, por exemplo, disparam em dias como ontem, quando a umidade relativa do ar chegou na capital paulista a 13% - o nível mais crítico do ano - e a 14% no Rio de Janeiro. "Praticamente 80% das vendas se concentram neste período do ano", diz Joaquim Alfani, gerente de Produtos do Grupo Seb, dono da marca Arno.
Na rede de hipermercados Extra, do início do mês até a última terça-feira, as vendas de umidificador cresceram 100% em relação ao mesmo período do ano passado. Na Drogaria São Paulo, as vendas aumentaram mais de 50% no último trimestre.
O maior aumento, entretanto, foi registrado na rede de farmácias Onofre. "Por mês, vendemos cerca de 300 aparelhos. Mas nesse mês de agosto já chegamos a 1,8 mil", diz Marcos Arede, diretor comercial. No caso dos sprays nasais e do soro fisiológico, o aumento foi chegou a 300% em relação aos meses mais úmidos.
Nos supermercados, a busca é por bebidas como água mineral, sucos prontos e até em pó. "Os varejistas ficaram surpresos com o pico de procura da ordem de 20% de um dia para o outro", diz Martinho Paiva Moreira, vice-presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas). Mas não há risco de desabastecimento. "Os pedidos para os fornecedores foram intensificados e estão sendo atendidos."
O mesmo salto aconteceu com as vendas de cerveja, segundo Douglas Costa, gerente de marketing do Grupo Petrópolis, da marca Itaipava. "Estamos vivendo uma semana de verão no meio do inverno", afirma ele. A Petrópolis ainda não contabilizou o aumento no consumo provocado pelo tempo seco e quente. Mas, segundo Costa, a alta é equivalente a que acontece no verão, quando as vendas em volume crescem de 20% a 25%.
Hidratantes faciais ou corporais e protetores labiais também têm maior procura, segundo Isabel Gimenes, uma das maiores vendedoras em volume das marcas Avon, Natura e Jequiti. "Nesses dias, de cada cinco clientes, quatro compram hidratantes ou protetores labiais", conta ela.
Nos próximos dias, o tempo segue seco e estável, com predomínio de sol e temperaturas elevadas para a época do ano, segundo a previsão meteorológica.
O calor também tem incentivado a demanda por ventiladores e outras soluções de climatização, segundo Alfani, da Arno. "Sabemos, por meio de pesquisas de mercado, que o consumidor é impulsionado a comprar produtos de ventilação após uma ou duas noites mal dormidas por conta do forte calor", explica. "Por isso, pequenos períodos de calor dentro do inverno impulsionam as vendas de ventilação, que crescem até 20% comparado a um período com temperaturas normais."
Veículo: Valor Econômico