Mesmo com redução nos custos de janeiro a julho a retração no preço do leite foi superior, ficando em 6,17%
O Índice de Custo de Produção de Leite (ICP Leite) em julho, elaborado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ficou 0,65% maior em relação ao mês de junho, o incremento se deve à valorização do milho e da soja, itens que compõem o concentrado utilizado na substituição das pastagens. No acumulado dos 12 meses foi registrado queda de 1,51% nos custos de produção. Entre janeiro e julho o IPC Leite teve variação negativa de 0,92%.
Ao contrário do aumento dos custos do leite em julho, foi registrada queda de 6,16% nos valores de comercialização do litro, o que deixou os pecuaristas em situação desfavorável. Mesmo registrando queda nos custos ao longo dos sete primeiros meses, a desvalorização no preço do produto foi superior, ficando em 6,17%.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Alziro Vasconcelos Carneiro, o aumento dos custos de produção em julho se deve ao incremento nos gastos com concentrado e sal mineral que no mês anterior apresentaram variação de 1,16% e 4,48%.
"O concentrado é responsável por 57,5% dos custos da produção de leite no período de seca. A participação expressiva nesta época do ano se deve à redução da oferta de pastagem e a necessidade de introdução de ração na alimentação dos bovinos", disse Carneiro.
Em julho, quatro grupos de insumos apresentaram alta nos preços. O grupo sal mineral apareceu em primeiro lugar, com aumento de 4,48%. Em seguida estão os grupos sanidade, 1,68%, concentrado, 1,16%, e energia e combustível, 0,21%. A inflação observada no grupo sal mineral foi conseqüência de elevação no preço dos suplementos minerais.
Custos - No mesmo período, o grupo produção e compra de volumosos (capim, silagem e pasto) foi o que apresentou maior queda nos preços, de 0,88%, seguido pelos grupos mão de obra e qualidade do leite, ambos registraram queda de 0,11%. A variação ocorrida no grupo produção e compra de volumosos foi ocasionada pela redução no preço de insumos utilizados no cultivo da cana de açúcar.
O ICPLeite/Embrapa acumulado nos sete primeiros meses do ano teve redução de 0,92%. No período analisado, três grupos apresentaram deflação: concentrado (5,43%), qualidade do leite (1,35%) e energia e combustível (0,61%). No grupo concentrado, o que mais influenciou foi a redução nos preços do farelo de soja e da ração da vaca em lactação ocorridas nos primeiros meses do ano.
No grupo qualidade do leite a deflação foi puxada pelo preço do dos detergentes para limpeza do tanque de resfriamento e ordenhadeira mecânica. A variação verificada no grupo energia e combustível foi decorrente de oscilações no preço da gasolina.
A maior elevação ocorreu no grupo mão de obra, alta de 10,12%, repercutindo o aumento do salário mínimo ocorrido no mês de janeiro. Em seguida, com alta de 7%, aparece o grupo sal mineral.
O grupo produção e compra de volumosos apresentou variação positiva de 5,31%, influenciado pelo preço de insumos utilizados para produção de silagem. O grupo sanidade registrou uma inflação de 2,85% em função de elevação no preço médio dos medicamentos, e o grupo reprodução, que teve alta de 2,10%, foi influenciado pelo aumento no preço do sêmen.
Qualidade - Na comparação com julho de 2009 o ICPLeite/Embrapa registrou redução de 1,51%. No período, a maior variação negativa ficou por conta do grupo qualidade do leite, que apresentou deflação de 8,35%, repercutindo a queda ocorrida nos preços dos detergentes para limpeza.
A segunda maior redução ocorreu no grupo concentrado, com recuo de 5,78%, devido à queda nos preços da ração para vacas em lactação e do farelo de soja. O grupo sal mineral sofreu uma deflação de 4,43%, reflexo da queda no preço dos suplementos minerais ocorrida no segundo semestre de 2009.
O grupo que apresentou maior aceleração de preços foi mão de obra, de 10,34%, influenciado, principalmente, pela elevação do valor do salário mínimo. Em seguida ficou o grupo reprodução, com variação positiva de 9,71%, influenciado pela elevação no preço do sêmen.
Com 3,88% de alta apareceu o grupo sanidade, que obteve essa variação devido a alta nos preços dos medicamentos. O grupo produção e compra de volumosos variou 3,85%, e o grupo energia e combustível subiu 0,92%.
Veículo: Diário do Comércio - MG