Frutas de valor

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Desidratação garante aproveitamento total da safra em processo simples, que dá lucro ao produtor

 

Um dos primeiros itens da lista de compras da ceia de Natal, as frutas secas, tradicionais desse período do ano, como damasco, ameixa, figo e avelã, são, em sua grande maioria, importadas. A falta de tradição na produção dessas iguarias porém, não impede que os produtores nacionais invistam no negócio de desidratação de alimentos, que, nesse caso, ganha um ar regional. As frutas tropicais, em especial a banana, maçã e abacaxi, dominam esse mercado, que tem espaço em todos os cantos do país. Em Minas Gerais, a produção de abacaxi e banana se destacam, enquanto a maçã seca se concentra em São Paulo e Santa Catarina e a manga no Nordeste.

 

Na década de 80, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) criou uma máquina secadora para dar suporte aos produtores, principalmente os de banana, que reclamavam da perda de boa parte da produção no transporte e mesmo na conservação dos alimentos. Com aperfeiçoamentos constantes, a secadora é, ainda hoje, um grande estímulo para os produtores rurais potencializarem os ganhos com a safra. “Iniciar no mercado de desidratação de alimentos é uma boa alternativa para a diversificação dos produtos comercializados, já que além da fruta in natura, o produtor ainda pode agregar maior valor ao alimento com a desidratação”, explica o pesquisador da Embrapa Félix Cornejo.

 
 
Há 15 anos nesse mercado, Pedro Meloni, proprietário da Meloni Consultoria, empresa que comercializa equipamentos para desidratação, avalia o bom desempenho do mercado e a expansão que vem sofrendo. “Além de serem muito consumidas em lanches rápidos e saudáveis, as frutas desidratadas são cada vez mais utilizadas na indústria de panificação e barras de cereais, o que amplia ainda mais o mercado.”

 

Os recursos necessários para iniciar um negócio no setor são pequenos, assim como o custo. Segundo Meloni, para começar o empreendimento o custo com máquinas varia entre R$ 20 mil e R$ 30 mil, de acordo com o tamanho da produção. O trabalho é predominantemente artesanal e a não é necessária mão-de-obra especializada. O lucro, que varia entre 12% e 15%, segundo Meloni, pode ser ainda maior. “A fruta, por suas condições para o consumo, pode estar prestes a ser descartada, mas ainda pode ser matéria prima para desidratação, ampliando ainda mais a rentabilidade”, ressalta.

 

O produto pode ser conservado por até quatro meses sem que percam os nutrientes da fruta. Para Cornejo, a utilização da máquina de secagem contribui para uma produção com maior controle da higienização e redução dos riscos de contaminação.

 

As frutas, compradas no mercado local, se transformam em flocos prontos para a comercialização na propriedade de Ewerton Fernandes Pimentel em Lagoa Santa. Há dois anos, o produtor atua no mercado de secagem de abacaxi e maçã e tem capacidade para produzir em torno de 400kg de frutas desidratadas todos os meses. Ele explica que, dependendo da fruta, a perda de água pode chegar a 3/4 do volume, alcançando uma margem de umidade entre 1,5% e 2%.

 

A lucratividade é certa. O quilo da maçã e abacaxi que Ewerton compra no mercado custa em torno de R$ 1,50. A quantidade é suficiente para produzir cerca de 150g dos produtos desidratados. “O custo total da produção de um quilo da fruta é de R$ 5, em média. Vendo pacotes de 30g de maça por cerca de R$ 4, totalizando cinco pacotes produzidos com essa quantidade da matéria prima. Ao final, o lucro líquido pode ficar em R$ 15”, calcula. O produtor ainda comemora a boa fase do mercado. “A procura por esse tipo de alimentação é cada vez maior, principalmente por esportistas, já que, além de muito prático, o alimento concentra as vitaminas e minerais da fruta natural”, acrescenta.

 

Quanto ao tempo de secagem, a variação é muito grande, já que depende não só da fruta em questão, mas também da forma como ela é colocada no secador, do controle da temperatura da máquina e da passagem de ar quente. Para se ter uma idéia, as fatias de maçã, quando submetidas a uma temperatura de 60 graus, levam cerca de 10 horas para finalizar a etapa de secagem.

 

Veículo: O Estado de Minas - MG


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