As festas natalinas e de réveillon trazem às padarias e delicatessens a possibilidade de ampliar as vendas no fim do ano. A procura por salgados, doces e panetones resultam, normalmente, em bons resultados. Boa parte dessas empresas também fornece ao cliente assar o peru, pernil ou chester da ceia, serviço que chega a custar R$ 50 na Capital. Há, ainda, aquelas empresas que oferecem produtos prontos para a ceia, como arroz, salpicão, farofa e tábua de frios.
Instalada em Belo Horizonte desde 1985, a Pão & Companhia, no bairro Anchieta, região Centro-Sul de Belo Horizonte, comemora um crescimento de 20% no mês de dezembro em relação ao resto do ano. Perto de alcançar sua capacidade total de produção, o gerente da loja, Adair José Gonçalves, apostou em uma linha de produtos especiais para a data, composta de bolos, panetones e english cakes. "Como já estávamos trabalhando com força máxima, não precisamos contratar mão de obra para este período. Produzimos a linha especial para atender a vontade do nosso consumidor que procura por produtos diferentes e especiais nesta época", explica o gerente.
A mão de obra, ou a falta dela, junto com a alta carga tributária, foi a grande dor de cabeça para Gonçalves em 2011. Mesmo apresentando crescimento de 15% em relação a 2010, a padaria não conseguiu manter uma equipe experiente. "Hoje temos carência de dois ou três funcionários por turno. A falta de qualificação e a grande oferta de emprego faz com que seja muito difícil manter uma equipe experiente e competente. Hoje temos 55 funcionários, mas poderíamos ter 60 sem dificuldade", avalia o empresário.
Já a Trigopane, com lojas nos bairros Sion e Buritis, ambas na região Centro-Sul, comemora especialmente a última semana antes do Natal, segundo informa o gerente de Marketing da empresa, Igor Silva. "Crescemos cerca de 30% neste último mês, especialmente na semana que antecede o Natal. Trabalhamos com novos pratos e novos modelos de cestas. Destaco as sobremesas, que conquistaram muitos clientes", explica Silva.
Para atender a demanda, o empresário reforçou a equipe em 10%. Este ano, a empresa apresentou crescimento de 12% e investiu na estrutura física das lojas. Para 2012, a intenção é investir na qualificação e treinamento da equipe para fortalecer o atendimento. O esforço já faz parte da estratégia da Trigopane para a Copa das Confederações, em 2013, e do Mundo, em 2014. "Vamos investir em uma linha de produtos inspirados no grupo que for jogar em Minas Gerais. A confeitaria vai trabalhar baseada na gastronomia e na história dos países cujas seleções se hospedarem em Belo Horizonte. Além disso, completaremos 20 anos em 2014, então será um ano de comemorações e novidades", adianta Silva.
Atacado e varejo - A Padaria e Delikatessen Boníssima, com unidades no centro e no bairro Gutierrez, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, segundo o seu gerente-geral, Luiz Carlos Barbosa, percebe o mês de dezembro dividido em duas etapas. Até o dia 15, vendemos mais para o atacado, para as empresas que montam brindes para fornecedores e funcionários. Já na semana que precede o Natal, as vendas se voltam para o varejo. Agora é a hora das famílias quem vêm em busca de produtos especiais para a ceia e presentear os amigos", explica o gerente. Desde a segunda quinzena de novembro, a padaria já oferecia produtos especiais como cestas e kits natalinos. Agora o foco está nos assados para o réveillon.
A demanda de dezembro ficou nos mesmos níveis conquistados no mesmo período de 2010 e atingiu um acréscimo de cerca de 20% em relação aos outros meses de 2011. O ano apresentou crescimento total de 8%. Para atender o volume de pedidos, a empresa contratou mais 10 funcionários para compor a equipe que normalmente tem 100 colaboradores. "2011 foi um ano muito instável, um pouco melhor no segundo semestre. Acredito que 2012 será melhor. Vamos investir, ainda mais, em treinamento para manter e ampliar a confiança do nosso cliente", comenta Barbosa.
Na contramão está A Predileta Padaria e Confeitaria, instalada na Floresta, bairro da região Leste da Capital. Com sete anos de experiência, a proprietária Rosimeire Gonçalves da Cruz, viveu um 2011 difícil e, mesmo fazendo promoções e investindo em cestas e kits especiais para o Natal, acabou dispensando dois colaboradores.
"A concorrência dos hipermercados, que trabalham com marcas próprias em grande volume, dificulta muito a vida das padarias. Estamos acostumados a ter uma redução da freqüência e do faturamento nos primeiros meses do ano em virtude das férias e do Carnaval, mas dessa vez tudo aconteceu mais cedo", reclama a empresária.
Veículo: Diário do Comércio - MG