A desaceleração dos preços dos alimentos, observada entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano, trouxe alívio à inflação que afeta os idosos. O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i), que mede a variação da cesta de consumo de famílias majoritariamente compostas por indivíduos com mais de 60 anos, desacelerou para 1,26% no segundo trimestre de 2013, ante variação de 1,82% no período de janeiro a março, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV).
A queda na inflação dos alimentos contribuiu para desacelerar a alta do IPC-3i: o grupo saiu de alta de 6,52% no primeiro trimestre para avanço de 0,55% no segundo, graças principalmente às hortaliças e legumes, cujos preços caíram 4,04% após elevação de 46,67% nos três primeiros meses deste ano.
Em 12 meses, o IPC-3i acumula alta de 6,21%. A variação do indicador ficou em linha com a taxa acumulada pelo IPC-BR, que mede inflação da média das famílias, sem distinção de faixa etária, que foi de 6,22%, no mesmo período. No segundo trimestre, o IPC-BR foi menor que o IPC-3i: 1,20%.
Segundo o economista André Braz, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), no segundo trimestre houve menor pressão inflacionária principalmente dos alimentos in natura, que subiram muito de preço nos primeiros meses do ano devido à menor oferta, prejudicada por problemas climáticos característicos da época. Na prática, isso ajudou a conter a inflação percebida pelos idosos. Tanto que, entre as cinco baixas de maior relevância para a taxa menor do índice no segundo trimestre, as duas primeiras vêm de alimentos.
Para Braz, o comportamento benéfico dos preços dos alimentos conteve, em parte, o impacto no indicador da inflação de habitação, que foi de 1,70% no segundo trimestre - depois de mostrar deflação de 0,74% no primeiro trimestre de 2013. "O grupo alimentação impediu uma alta mais forte do IPC-3i", resumiu.
Veículo: Valor Econômico