Com menor intenção de comprar bens duráveis, os brasileiros vão diminuir o tíquete médio das compras neste ano, em um movimento atrelado à percepção ruim da economia no 1° trimestre.
O cenário econômico desafiador que o País enfrenta deve se manter no primeiro trimestre. Segundo estimativa do Ibevar, de janeiro a março, a retração nas vendas do setor deve somar 1,5%, e para superar a crise o varejista precisa elevar os esforços na diminuição de perdas frente à retração no consumo.
A estimativa de queda, estimada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar), pela Felisoni Consultores Associados e pelo Provar, foi mensurada através de pesquisa que media a intenção do brasileiro de comprar bens duráveis no período. De acordo com o estudo, de janeiro a março 41,2% dos respondentes disseram pretender fazer uma aquisição, ano passado, a fatia era 49,6%. O resultado, no entanto, é 6,8% maior que o do trimestre anterior, quando o índice ficou em 34,4%. Mesmo com a alta, o resultado é o menor dos últimos três anos.
Outro fator que tem estimulado a queda das vendas é a instabilidade em relação ao emprego. O índice que mede a expectativa de desemprego entre os pesquisados empregados aumentou, e ficou em 5,0%, frente a -2,6% no trimestre anterior. No indicador, dados negativos sinalizam pouco medo de sair do emprego. O ponto mais alto de insegurança do brasileiro, no entanto, foi no terceiro trimestres de 2015, quando o indicador alcançou 48,9%.
Quer pagar quanto?
Entre os brasileiros que planejam alguma compra de bem durável no primeiro trimestre, o tíquete médio gasto também deve recuar. A expectativa de gasto neste trimestre gira em torno de R$ 1.840. No mesmo período do ano passado, o capital estimado era de R$ 2.751.
Entre os consumidores que compram pelo e-commerce, a intenção de compra foi de 83,2%. Em 2015, o índice ficou em 94,7%. Para o cofundador da E-bit relações institucionais do Buscapé Company, Pedro Guasti, o resultado alto de 2015 chama a atenção. "O resultado mostra que o consumidor estava mais otimista", destaca. Segundo Guasti, o e-commerce tem maior margem de crescimento que as lojas físicas, mas, ainda assim, os consumidores estão receosos.
Para ele, outro fator que pode ter influenciado a baixa expectativa de compra foi o bom desempenho da Black Friday em 2015. "Para o e-commerce, as vendas da Black Friday foram positivas, talvez por esse motivo o consumidor tenha diminuído a expectativa de novas aquisições", pondera.
Já para o presidente do Ibevar, professor Claudio Felisoni, a compra está inibida pelas condições econômicas do País. "Se houvesse condições favoráveis, as pessoas estariam mais dispostas a comprar".
Para Felisoni, as vendas de bem duráveis devem continuar apresentando um resultado pouco promissor.
Como superar a crise?
Segundo o líder do Ibevar, os varejistas que buscam atravessar esse momento de adversidade, principalmente os lojistas do ramo de bens duráveis, precisam agir rápido. Uma das estratégias mais eficazes, segundo ele, é elevar a eficiência "Existe um impacto significativo das perdas operacionais, como furtos, roubos", destaca.Para ele, em tempos de bonança, as empresas tendem a deixar esses controles de lado, mas com a demanda menor é preciso retomar esse hábito.
Você sabe poupar?
A necessidade das empresas de poupar vem em um traçado similar ao que acontece entre os consumidores. Segundo Felisoni, o brasileiro tem guardado mais dinheiro, mas o motivo não é melhoria da educação financeira pessoal, e sim o medo da economia piorar.
Para ele, analisados isoladamente os dados parecem positivos, mas em conjunto com os outros números, eles mostram um sentido completamente e contrário. "Temos uma queda na renda real de 8,3%, aumento de juros, maior inadimplência e o aumento da expectativa de desemprego", exemplifica ele, indicando que esses fatores levaram o consumidor a rever a planilha de gastos.
O estudo também revelou que a intenção de uso de crediário está caindo, e foi de 68,3% no primeiro trimestre de 2015 para 62,9% este ano.
Quando vem a retomada?
Para o coordenador de pesquisas do Provar/FEA USP, professor Nuno Fouto, falar de retomada das vendas é precoce. A percepção do acadêmico é que a retomada está atrelada diretamente aos passos do governo. "É preciso que o governo faça gastos eficientes e corte os ineficientes. Promova investimentos que fomentem o crescimento", afirmou ele, citando os gastos que podem ser reduzidos dentro da máquina pública como alternativa.
Veículo: Jornal DCI