Argentina "esquece" têxteis brasileiros e compra da China

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Empresários do setor têxtil buscam uma saída para o fim das licenças não automáticas impostas pela Argentina aos produtos têxteis brasileiros. As medidas foram adotadas pelo governo do principal parceiro do Brasil no Mercosul, o que derrubou em quase 100% as exportações brasileiras para aquele país. Até então, as licenças eram automáticas e hoje variam entre 60 e 120 dias para serem liberadas, disse o presidente da Cedro Têxtil, uma das maiores indústrias têxteis nacionais, Aguinaldo Diniz Filho.

 

Os empresários alegam que os argentinos trocaram os produtos têxteis brasileiros pelos da China. Isso tem agravado as perdas causadas pela crise econômica que reduziu a demanda mundial de quase todos produtos. Até então, o Brasil respondia por 30% a 40% do consumo argentino de produtos têxteis, fatia que caiu para 14% no primeiro semestre deste ano - disse Diniz Filho, também presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Enquanto isso, disse o empresário, as vendas dos chineses para Argentina subiram de 3% para 23%.

 

Os números fazem parte de um estudo entregue recentemente à ministra de produção da Argentina, que esteve no Brasil. O estudo mapeia o impacto das medidas argentinas sobre as exportações do setor têxtil nacional, que movimenta aproximadamente US$ 1,7 bilhão por ano, do qual a Argentina responde por 32%. A ministra ficou de analisar o material que, por enquanto, não deu retorno aos brasileiros.

 

Instalada em Minas Gerais, a Cedro Têxtil, reduziu de forma drástica as vendas para Argentina, disse Diniz Filho. "Hoje a empresa exporta quase nada para Argentina". Antes do agravamento da crise financeira mundial, em setembro de 2008, a Argentina era o principal cliente externo da Cedro Têxtil, pois comprava 60% do que a empresa embarcava ao exterior . Dessa, forma o volume total de produtos embarcados pela empresa saiu em 2008 de 13% da produção para 5% do volume no primeiro semestre deste ano. A empresa busca aumentar as vendas no mercado interno para compensar parte das perdas nas exportações.

 

Outras empresas buscam ocupar o vácuo deixado pela demanda argentina com as vendas para outros mercados, como Chile, Uruguai, Paraguai, Colômbia e Equador. É o exemplo da Confecções Dois Rios, da qual a Argentina era um dos principais clientes. O país vizinho respondia por 15% das vendas externas da empresa, fatia que caiu para 5% no primeiro semestre, disse o vice-presidente da empresa, Matheus Diogo Fagundes. Com um faturamento de R$ 14 milhões a R$ 15 milhões previstos para este ano, a empresa, instalada em Santa Catarina, destina ao exterior 25% da produção mensal de 200 mil de peças confeccionadas mensais - 2,4 milhões anuais.

 

Um outro caso semelhante é a da Savyon Indústrias Têxteis, instalada no Bom Retiro, voltada para a moda feminina, em São Paulo, cujas participações das vendas para Argentina caiu de 30%, no ano passado, para 3% no primeiro semestre de 2009. "A gente perde de duas formas: o cliente argentino adquire menos produtos nossos; e aqueles que já compraram demoram mais a receber o nosso produto", disse o diretor comercial da Savyon, Renato Bitter.

 

A empresa exportou no primeiro semestre 70 toneladas de produtos, queda entre 30% e 40% sobre 2008.

 

A Argentina suspendeu licenças não automáticas aos produtos têxteis brasileiros e passou a adquirir mais da China, segundo exportadores do setor.

 

Até então, o Brasil respondia por 30% a 40% da demanda argentina de produtos têxteis, fatia que caiu para 14% no primeiro semestre deste ano, segundo Diniz Filho, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

 

A Cedro Têxtil, uma das maiores indústrias têxteis nacionais, reduziu de forma drástica as vendas à Argentina, disse Diniz Filho, também presidente da empresa. "Hoje a empresa exporta quase nada à Argentina." Antes do agravamento da crise financeira mundial, em setembro de 2008, a Argentina era o principal cliente externo da Cedro Têxtil, pois comprava 60% do que a empresa embarcava ao exterior. Já a Confecções Dois Rios tinha na Argentina 15% das suas vendas externas, fatia que caiu para 5% no primeiro semestre, disse o vice-presidente da empresa, Matheus Diogo Fagundes.

 

No cenário econômico, os argentinos estão perto de voltar a conviver com moedas paralelas, como os famosos patacones, que nasceram nos tempos da crise de 2001/2002.

 

A situação fiscal das províncias argentinas está cada vez mais complicada e pode levá-las a um déficit fiscal de 9,8 bilhões de pesos (cerca de R$ 4,7 bilhões) em 2009. Os governadores endividados querem o apoio da presidente, Cristina Kirchner, para propor mudanças na Lei de Responsabilidade Fiscal com o fim de autorizá-los a emitir papéis para pagar salários e fornecedores.

 

Veículo: DCI


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