Juntas, Kirin e Suntory formariam grupo com vendas de US$ 41 bilhões para enfrentar a AB InBev
As japonesas Kirin Holdings e Suntory Holdings estão em negociações para uma possível fusão, que criaria uma concorrente para a maior cervejaria do mundo, a Anheuser-Bush InBev. Juntas, as duas empresas formariam um grupo com vendas em alimentos e bebidas que somariam 3,8 trilhões de ienes (US$ 41 bilhões) em 2008. Desse total, 1,2 trilhão de ienes (US$ 12,9 bilhões) correspondem à venda de cerveja. A AB InBev, que gerencia um portfólio de 300 marcas, faturou US$ 22,5 bilhões em 2008.
A Kirin e a Suntory vêm registrando lucros nos últimos anos, apesar da fraqueza do mercado de bebidas doméstico, prejudicado pela diminuição populacional e pela retração econômica. Mas as duas companhias têm feito grandes esforços para aumentar presença no estrangeiro, com diversas aquisições fora do Japão.
Uma fonte próxima ao negócio informou que uma fusão enfrentaria diversos obstáculos regulatórios. O grupo unido teria cerca de 50% do mercado japonês, deixando a Asahi Breweries, maior concorrente da Kirin, com uma participação de 37%. O jornal Nikkei informou que a
Kirin e a Suntory deverão entrar em contato com a Comissão de Comércio Justo do Japão nesta semana, para explorar medidas que evitariam a violação da lei antimonopólio.
O analista Tomonobu Tsunoyama, da Tokai Tokyo Research Center, acredita que uma fusão seria positiva para as duas empresas e representaria uma "grande ameaça" para outros competidores do setor. A Kirin tem fatias de 46% e 48% nas australianas Lion Nathan e San Miguel Brewery, respectivamente, e quer aumentar sua presença na Ásia e Pacífico Sul. O grupo pretende gerar 30% de sua receita fora do Japão até 2015.
A Suntory, que atualmente engarrafa e distribui produtos da americana PepsiCo no Japão, já está presente na China e possui a maior fatia do mercado cervejeiro em Xangai e em áreas vizinhas. No início deste ano, a empresa pagou mais de 600 milhões (US$ 837 milhões) para comprar a
Frucor, operações de bebidas da Danone na Austrália e na Nova Zelândia.
A fusão uniria duas companhias com mais de cem anos de história cada uma. O Nikkei informou ainda que ambas estudam formar inicialmente uma holding este ano, mas uma fonte próxima recusou-se a comentar esse aspecto.
Veículo: O Estado de S.Paulo