Prejuízo provocado pelos recessos em Minas neste ano corresponde a 4% do PIB do setor no Estado.
A indústria de Minas Gerais deixará de faturar R$ 3,65 bilhões neste ano devido aos feriados. O valor representa uma perda de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) previsto para o setor no Estado em 2012, segundo o estudo "O custo econômico dos feriados", elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O custo das paralisações projetado para o atual exercício é 15% superior ao registrado em 2011, quando ele chegou a R$ 3,17 milhões nas fábricas mineiras, de acordo com a entidade fluminense.
Em todo o país o prejuízo será de R$ 44,9 bilhões, o que representa incremento de 21% na comparação com o ano passado, quando ele somou R$ 37,3 bilhões. Com isso, a atividade industrial brasileira deverá registrar uma perda de 4,4% do PIB, ante 3,8% em 2011. Deste total, R$ 40,6 bilhões deixarão de ser gerados nos feriados nacionais. Os R$ 4,3 bilhões restantes estão distribuídos entre os recessos estaduais.
Em 2012, o custo dos feriados em Minas Gerais será o terceiro maior do país. A maior perda deverá ser verificada em São Paulo, com R$ 14,6 bilhões, seguido pelo Rio de Janeiro, que deixará de produzir o equivalente a R$ 5,04 bilhões.
O gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Guilherme Mercês, explica que neste ano haverá um maior número de feriados nacionais em dias úteis. No calendário de 2012 são 10 datas comemorativas em dias de semana, ante nove no exercício passado.
"Enforcamento" - Além disso, muitos feriados ocorrerão nas terças-feiras e quintas-feiras, resultando em pontos facultativos e na prática do "enforcamento" por parte dos funcionários. Entre as datas comemorativas está o Dia do Trabalhador (1º de maio), que será em uma terça-feira. Já Corpus Christi (23 de Junho) e a Proclamação da República (15 de novembro) serão na quinta-feira.
Conforme o gerente da Firjan, o prejuízo pode ser ainda maior, já que o estudo contabiliza apenas os feriados nacionais e estaduais. Com as datas comemorativas municipais, as perdas podem crescer. De acordo com o especialista, os custos são ainda maiores caso as empresas brasileiras optem por manter as operações nas datas comemorativas. "As despesas com os encargos trabalhistas chegam a dobrar", diz.
Ainda segundo Mercês, o grande volume de feriados no Brasil ocorre justamente quando os países estão buscando uma maior competitividade e produtividade. A China, por exemplo, reformou seu calendário reduzindo o número de datas comemorativas. Em Portugal, quatro feriados foram eliminados do calendário recentemente. A medida visa aumentar a produtividade do país europeu, que registra baixo crescimento econômico.
A solução apontada pela entidade é adiantar para as segundas-feiras os feriados que caírem nos demais dias da semana, com exceção do Natal, Confraternização Universal (1º de janeiro) e Dia da Independência (7 de setembro). A medida está prevista no Projeto de Lei (PL) 2.257 de 2011, de autoria do deputado federal Edmar Arruda (PSC-PR), que tramita no Congresso Nacional.
De acordo com o estudo da entidade, o PIB industrial brasileiro deverá alcançar R$ 1,015 trilhão em 2012. O resultado é 3,2% superior ao verificado no ano passado, quando ele totalizou R$ 982,9 bilhões.
Veículo: Diário do Comércio - MG