Consumidor está cauteloso para o Natal

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Pesquisa da FCDL-MG indica que as compras do fim de ano deverão ficar para a última hora

 
Dezembro está se aproximando e começa a preocupação típica entre os consumidores de como se planejar para não ficar sem presentear os entes queridos na data mais celebrada do ano, o Natal, mesmo que seja apenas com a famosa “lembrancinha”. No Estado, porém, o conhecido hábito do brasileiro de deixar as compras para a última hora promete predominar mais uma vez. Pesquisa realizada pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de Minas Gerais (FCDL-MG) em 58 municípios aponta que 77,5% dos mineiros irão atrás dos presentes somente no último mês do ano.
 
Fatores como inflação alta, desemprego, taxas de juros elevadas ainda mantêm os consumidores com uma postura bastante contida diante do risco de se comprometer com gastos. Prova disso é que apenas 15,7% dos entrevistados afirmaram que vão adquirir os presentes de forma antecipada. O restante, 6,8%, pretende esperar mais um pouco para aproveitar as tradicionais liquidações.
 
Com uma relação custo-benefício mais interessante, as roupas (32,3%) aparecem disparadamente como a primeira opção de presente dos mineiros, tanto entre os homens quanto entre as mulheres. Em seguida, vêm brinquedos (16,7%), calçados (10,4%), perfumes (7,3%) e livros (7,3%). Já o consumo de artigos de maior valor agregado, como eletroportáteis e eletrodomésticos, deverá ser postergado para o primeiro mês de 2017.
 
O intuito dos consumidores é desfrutar dos saldões preparados pelos lojistas para movimentar o estoque encalhado do Natal.
Bom preço (39,2%), atendimento (32,0%) e localização/facilidade de acesso (9,8%), segundo os entrevistados, serão fundamentais para o sucesso da compra. “Hoje o consumidor está conciliando outras variáveis ao longo de uma negociação. Não adianta nada o lojista ter um preço bom, se não tiver bom atendimento ou um estoque bem planejado. O consumidor hoje quer muito mais. Quer rapidez, atendimento customizado e objetivo, e o preço, claro, que é a chave do negócio”, pondera o analista de mercado da FCDL-MG, Vinícius Carlos.
 
Campanhas - Um dado levantado pelo estudo, no entanto, causa preocupação na entidade. Segundo 51,1% dos entrevistados, os lojistas em sua região ainda não iniciaram as campanhas de Natal ou as decorações temáticas da data. Para Vinícius Carlos, quanto mais o comerciante adia a preparação para o evento, menos ele estimula o consumidor para as compras e menores serão as suas chances de faturar.
 
“É preocupante porque o cenário atual não está muito favorável. Quanto mais cedo se inicia o apelo emocional do Natal, trazendo o consumidor para o lado otimista, maior a contribuição para o aumento das vendas. Se o Natal vem com forte apelo emocional, ele começa a inserir a vontade de comprar entre as pessoas, transformando isso posteriormente em vendas”, explica.
 
Em 2015, segundo a entidade, muitos comerciantes tiveram perda no faturamento no último mês do ano. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a queda no varejo mineiro foi de 2,1% em dezembro passado. Por este motivo, o analista de mercado da FCDL-MG considera fundamental que o empresário adote uma postura flexível e inovadora no momento das negociações com o consumidor, principalmente no que tange à forma de pagamento.
 Segundo a pesquisa, 29,3% dos mineiros efetuarão suas compras utilizando o cartão de crédito à vista, enquanto 28,3% o farão por meio do pagamento à vista em dinheiro e 25,0% à vista no débito. Para Vinícius Carlos, o lojista precisará, portanto, entender o perfil do seu comprador e propor condições de venda mais adequadas a ele. O especialista alerta, porém, que isso deve ser feito sem que as finanças da empresa sejam comprometidas.
 
“Hoje o consumidor ou está com medo de gastar ou inadimplente, então o lojista tem de saber lidar com suas finanças para oferecer melhores formas de pagamento ou promoções, que sejam customizadas. O comerciante tem de conhecer o seu consumidor (verificar se está inadimplente, como ele pode efetuar aquela compra), e suas preferências. Se ele não souber enxergar o que o consumidor quer hoje, não conseguirá efetivar a venda como gostaria. Mas isso tem de acontecer com toda a cautela para não complicar a saúde financeira da empresa. Com isso, você ganha o cliente”, conclui.
 
Fonte: Jornal Diario do Comércio de Minas 


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