Valorização do real e menor preço das mercadorias levam empresários a comprar mais para o Natal.
O consumidor mineiro deverá encontrar neste Natal um volume 15% maior de produtos importados no varejo do Estado na comparação com a mesma época do ano passado, segundo previsão da Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais (Fecomércio Minas). Conforme a coordenadora do Departamento de Economia da entidade, Silvânia de Araújo, a valorização do real em relação ao dólar e o preço das mercadorias no mercado externo vão contribuir para o aumento das compras destinadas à data comemorativa.
De acordo com ela, a projeção está baseada nos US$ 782,751 milhões destinados pelo setor às importações de bens de consumo, duráveis e não duráveis, no primeiro semestre, o que corresponde a um crescimento de 16,89% frente igual intervalo de 2009, quando foram gastos R$ 669,611 milhões. Para os últimos seis meses deste ano, a expectativa é de alta de 25% nas operações ante o mesmo período de 2009. "A economia está aquecida e as vendas destinadas ao Natal tendem a ganhar ritmo. E os lojistas precisam ter o estoque abastecido", afirmou.
Silvânia de Araújo acrescentou que a possibilidade de incrementar o mix e de elevar a margem de lucro também é levada em consideração pelos empresários na hora de planejar a compra de artigos importados. "Além disso, há grande quantidade de produtos no mercado internacional para serem comercializados", explicou.
Ainda de acordo com ela, as encomendas junto aos fornecedores internacionais para o período natalino já foram realizadas por grande parte dos lojistas de Minas Gerais, que devem receber as mercadorias a partir de setembro. Isso porque, conforme Silvânia de Araújo, os pedidos precisam ser feitos com uma boa antecedência para que não haja risco de atrasos.
Levantamento realizado pela Fecomércio Minas apontou que a maioria das importações do varejo mineiro é feita dos Estados Unidos (15,65%). Em seguida surgem Argentina (15,05%), China (12,22%), Alemanha (10,72%), Itália (8,85%), Austrália (3,6%), Japão (3,25%), França (2,70%), Canadá (2,22%) e Peru (2,18%).
O grupo SBF, dono das redes de lojas Centauro Esportes, By Tennis, Almax Sports e Nike Store, aumentou o volume de importados para o Natal em 40% frente igual intervalo do ano passado. Conforme o proprietário, Sebastião Bonfim, o crescimento está ligado à expansão da rede em todo o Estado e às boas perspectivas do mercado. "A economia brasileira passa por um bom momento e a empresa está em expansão. Precisamos formar o estoque para atender à demanda da melhor data para o varejo", afirmou.
De acordo com o empresário, a maioria das peças de vestuário e acessórios é importada dos países asiáticos, principalmente da China. Entretanto, ele destacou que os preços das mercadorias chinesas tiveram alta nos últimos meses, em função do crescimento do mercado interno do país, o que afetou negativamente as negociações junto aos fornecedores.
Já a M&Guia Comércio de Vestuário Ltda, que comercializa roupas finas femininas, em duas lojas da Capital, elevou o volume de importação em 20% ante o mesmo período de 2009. Segundo uma das sócias, rica dos Mares Guia, as encomendas para o Natal foram feitas com oito meses de antecedência, com base nas vendas já realizadas, no câmbio favorável e na expectativa positiva para a data comemorativa.
Ela destacou que a empresa compra produtos de países como a França, Inglaterra, Itália e Estados Unidos. Mas, de acordo com a empresária, as negociações não são fáceis e ainda esbarram na burocracia e nos altos impostos cobrados no Brasil. "Importamos parte das mercadorias em função dos clientes estarem cada vez mais exigentes e optando por produtos exclusivos", explicou.
Veículo: Diário do Comércio - MG