Preços dos produtos derivados do grão tiveram alta de 7% a 13%, dependendo da empresa.
A quebra da safra de trigo na Rússia, Ucrânia e países do Mar Negro trouxe reflexos na economia nacional, segundo o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo de Minas Gerais (Sinditrigo-MG), Domingos Costa. Ele afirmou que os preços dos produtos derivados do grão tiveram aumento de 7% a 13%, dependendo da empresa.
"Não dá para falar em apenas um percentual. Afinal, as estratégias das companhias são diferentes e também merece ser considerado os estoques disponíveis", explicou.
Ele afirmou que os repasses, no geral, são feitos de forma gradativa pelas empresas e que não há perigo de faltar trigo no mercado nacional. "O que aconteceu com a Rússia, que abastece grande parte do mercado europeu, gerou muita especulação, o que é normal no mercado", analisou.
Para Domingos Costa, o que ocorreu foi um ajuste de preços que estavam defasados. Ele aposta que não devem acontecer mais altas nos próximos meses, desde que não haja nenhuma surpresa no mercado. "Agora, a tendência é estabilidade", observou.
De acordo com informações da consultoria Agrosecurity, a rentabilidade dos produtores de grão do Cerrado brasileiro vinha caindo desde 2008. Para a safra 2010/11, o setor já trabalhava com a perspectiva de margem ruim ou até prejuízo. Agora, com a melhora dos preços na Bolsa de Chicago (Cbot), o fluxo deve ser positivo até meados dos primeiros seis meses do próximo ano.
Conforme pesquisas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), o preço do trigo e derivados começou a subir nos últimos dias, mesmo com os números apontando para oferta abundante no Brasil, com o início da colheita no Paraná. O resultado se deve ao fato de que os produtores aguardam preços mais altos por conta da redução da disponibilidade mundial do trigo.
Oferta menor - O presidente do Sinditrigo-MG afirmou que, como a oferta mundial diminuiu, o produtor ficou pouco sensibilizado para vender. Entretanto, segundo ele, não há nada no momento que sinalize que vai haver mais altas. "Afinal, a safra nacional deve ser de mais de 5 milhões de toneladas. Fora que ainda há estoque do governo, na casa de 1,5 milhão de toneladas, que foi adquirido no ano passado", disse.
Apesar da colheita ter diminuído 38% neste ano, a Rússia possui grãos suficientes para atender à demanda local. Mas o fato é que o país deve importar milhões de toneladas do grão.
A Rússia, que já foi o terceiro maior vendedor mundial de trigo do mundo, foi atingida por uma forte seca, destruindo amplas áreas. Analistas estimaram que as importações do país devem variar de 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas.
Veículo: Diário do Comércio - MG