A valorização da moeda norte-americana frente o real já começa a deixar em alerta os moinhos mineiros, que deverão ajustar os preços da farinha de trigo para compensar os custos. Segundo o presidente do Sindicato do Trigo de Minas Gerais (Sinditrigo-MG), Domingos Costa, cada moinho tem seu custo e a instabilidade no dólar provoca no setor a preocupação em proteger o capital de giro das empresas.
De acordo com Costa, o percentual de alta ainda é indefinido, mas o segmento acompanhará a movimentação da moeda norte-americana para que seja feito o provável reajuste ainda na segunda-feira próxima. "Estamos definindo em função do dólar mas, sempre com uma política moderada e responsável", salientou o dirigente.
No mercado, circula a notícia que o segmento em São Paulo já reajustou os preços da farinha de trigo em 20%. Mas Costa acredita que antes ocorra uma ponderação sobre até que ponto vai a alta do dólar e seu impacto no setor, para que o rejuste não seja aleatório.
"Não houve nenhuma iniciativa do mercado em aumentar preços. Existe a expectativa de uma intervenção do governo federal para que a moeda norte-americana retorne a patamares menores", enfatizou.
Costa afirmou que devem ocorrer aumentos também em função dos custos de produção, reforçando que serão realizados por necessidade. "Essa crise mundial deixa todos em expectativa. O mercado de trigo ontem parou, com os produtores preferindo não vender o grão para ver o desempenho do dólar, enquanto esperam reajustes nos preços de fertilizantes e sementes", explicou. A saca de 50 quilos de farinha está sendo comercializada em Minas Gerais entre R$ 65 e R$ 73.
Ajustes - Endossando a opinião de alta nos preços da farinha de trigo, o vice-presidente da Associação dos Triticultores de Minas Gerais (Atriemg), Eduardo Elias Abrahim, apontou a alta de 20% no mercado paulista e acredita que, a partir de segunda-feira, os moinhos de Minas Gerais deverão iniciar os reajustes. "As empresas ainda estão comprando trigo com preços mínimos, mas o grão deverá sofrer alguma alta em função da seca", explicou.
O cenário previsto para os triticultores mineiros é que ocorram alguns ajustes até fevereiro, quando o trigo volta a ser reajustado em função de uma possível quebra na produção argentina estimada entre 20% e 40%. "Ainda assim, hoje com o dólar em alta os preços vão subir. O produtor mineiro já tenta negociar o trigo com preços mais elevados no mercado", afirmou.
De acordo com Abrahim, a procura dos moinhos por trigo está em alta no país, com o Paraná começando a reajustar preços. "Os reflexos ainda não apareceram em Minas e a tonelada do grão posto em moinhos está em torno de R$ 600. possível que as altas acompanham o cenário praticado em São Paulo", afirmou o dirigente.
Veículo: Diário do Comércio - MG