A rede Condor de supermercados, cuja presença é exclusiva no Paraná, abriu neste mês sua 31ª loja, no Município de Colombo. A inauguração foi mais um movimento de um plano de expansão ambicioso, elaborado em 2007, que inclui para este ano a abertura de duas outras unidades (nas cidades de Castro e São José de Pinhais, respectivamente, em outubro e novembro) e a transformação de uma loja em hipermercado, em Araucária.
E para o ano que vem, tratando-se de empreendimentos, a companhia já tem dois projetos aprovados e mais dois em trâmite. Todos esses investimentos são empenhados a partir de recursos próprios e linhas especiais de bancos de fomento, que cobrem 60% dos custos a juros baixos (8% anuais) e carência de um ano. As quatro iniciativas de 2011 despendem R$ 100 milhões da empresa e aproximam-na de sua meta para o ano da Copa do Mundo no Brasil: faturar R$ 2 bilhões.
Tendo lucrado R$ 1,7 bilhão em 2010 (20% a mais do que no ano anterior), não é à toa que a Condor é a maior rede paranaense e a oitava colocada no ranque da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Aliás, executivos do negócio estão elaborando, a portas fechadas, um novo plano de expansão para 2016, quando pretendem expandir a atuação da companhia para fora do domínio estadual.
"As empresas regionais têm crescido mais do que as companhias multinacionais, revertendo o quadro que se via até 2002", observou o fundador e presidente da Condor, Pedro Joanir Zonta. "Os empresários locais têm recebido um bom retorno por parte dos fornecedores, em condição de igualdade para competir com as empresas de fora."
Para o executivo, que preside também a Associação Paranaense de Supermercados (Apas), o ano de 2002 foi um "divisor de águas" para o setor - pelo menos no Paraná, segundo contou -, pois os empresários locais se uniram para negociar melhores condições na relação com a indústria e garantir a própria competitividade, frente a players globalizados.
Naquela época, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) já liderava o mercado em questão, embora ainda não tivesse entregue o controle administrativo para o grupo Casino - o que deve acontecer no ano que vem, em função de um contrato de 2005. "O GPA sempre se comportou como uma multinacional. Já está claro que pertence aos franceses", frisou Zonta.
Passado
O Condor surgiu em 1974, quando Zonta tinha 22 anos e decidiu investir o que tinha (e o que não tinha) na compra de um pequeno mercado, no bairro de Pinheirinho - atualmente, um dos principais centros comerciais de Curitiba. O que se seguiu nos quatro anos seguintes foram bons resultados comerciais, aquisições e ampliação de lojas.
"Somos cem por cento paranaenses", afirmou o empresário, hoje com 60 anos, "começamos em Curitiba e nos expandimos para o resto do estado". Oficialmente, a rede é chamada de Condor Super Center, algo distante do nome inicial (Supermercado Condor Ltda.), quando era uma loja de bairro.
Presente
Zonta leva em conta que seu público-alvo pertence às classes B e C. "É a camada social que mais cresce. Com o aumento na renda e no emprego, tem nos dado um bom retorno", diz. Sobre consumo, calcula que a venda de eletroeletrônicos - principalmente televisores - cresceu 8% nos dois últimos anos. "É um setor importante."
Com o enfraquecimento do dólar, os importados têm ganhado destaque nas prateleiras da companhia. Produtos estrangeiros já representam 6% do lucro anual, sendo mais presentes na seção têxtil (com importações da China) e nas gôndolas de azeite, frutas e vinho (Portugal, Espanha, Itália, Argentina e Chile).
Futuro (e o novo consumidor)
A área de vendas da rede Condor chegará a 118 mil metros quadrados até o fim deste ano - aproximadamente mil vezes o tamanho da primeira loja de Zonta, que tinha 110 m² -, com as três inaugurações previstas (uma delas já executada) para os meses de setembro, outubro e novembro.
A companhia trabalhará com vistas às mudanças e aos novos rumos do comportamento do consumidor, de acordo com o presidente. "Setores como o de pratos semiprontos crescerão. Com a alta no emprego, a família brasileira inteira está trabalhando fora de casa, isso impulsiona esse tipo de consumo".
Para Zonta, tamanhos de embalagem mais variados serão uma das formas de a indústria se adequar às novas demandas do consumo, considerando que as pessoas nunca moraram tão sozinhas quanto se vive hoje - compondo o público que por aí já se chama de "consumidor single". "É preciso estar atento às necessidades desse consumidor." (Na Apas, presidida pelo empresário, seis mil pessoas passam por um treinamento que lida exatamente com essa questão.)
Veículo: DCI