Com um crescimento de 9,8% no primeiro semestre, o setor de construção civil mantém otimismo para 2012, e motivos não faltam: o crescimento da Internet e da classe C, alinhados, obrigam as empresas de comércio e varejo a expandir seus galpões e centros de distribuição, a crise europeia traz novos players para o mercado nacional em restaurantes e lojas de departamentos, além do alto ritmo de construções de hotéis no nordeste Brasileiro.
"Mesmo sendo a menor alta dentro da construção civil no primeiro semestre [já que a industria cresceu 51% e o setor residencial cresceu 1,7%], o segmento de construção civil não perdeu o ritmo; ao contrário, ganhou fôlego para preparar melhor os investimentos para o segundo semestre", afirmou Viviane Guirao, diretora da consultoria ITC, que organizou o estudo.
De acordo com a consultoria, foram construídas 2.104 obras no primeiro semestre de 2010, contra 1972 este ano. "O número de obras caiu, mas o investimento não, o que significa que as empresas estão construindo empreendimentos maiores e mais caros." Em área construída, foram 24,6 milhões de metros quadrados em 2011, ante aos 18,4 milhões de 2010.
Para aproveitar a oportunidade, André Agostinho, Presidente da Urbia Commercial Properties, empresa especializada em desenvolvimento e administração de prédios comerciais prevê uma alta de pelo menos 30% em 2012, de olho em investidores estrangeiros. "Acreditamos que haverá forte demanda de investimento de capital, mas será necessário acessoria para construção e ai nosso negócio ganha espaço no mercado", disse o executivo, que não descarta possibilidades regionais. "Não vamos ficar focados em nordeste ou sudeste, trabalharemos onda houver oportunidades", concluiu.
Para o presidente da construtora portuguesa Vilá Galé, Jorge Rebelo de Almeida, o ano de 2012 será estratégico para o construção comercial. "Somos especializados em hotéis, e temos foco no nordeste, mas sei da demanda que irá surgir no setor de galpões e centros logísticos, e não descarto possibilidades", disse o executivo.
De acordo com ele, o nordeste sofrerá um boom nesse sentindo. "Com a chegada do Plano Nacional de Banda Larga a demanda por centros de armazenamento por parte de varejistas a construção de centros de distribuição tornam-se interessantes."
Para João Almeida Rodrigues, especialista em logística e professor de Engenharia da Universidade São Paulo (USP), a demanda deverá crescer até 20%. "No primeiro semestre de 2011, foram construídos 49 galpões, e a expectativa é que no primeiro semestre de 2012 esse número chegue a pelo menos 58", disse.
"A Casas Bahia, por exemplo, está tentando ganhar o mercado nordestino, e para isso terá de construir CDs por lá", disse o professor, lembrando que empresas como Lojas Americanas, Submarino e Fast Shop deverão ganhar mercado on-line na região nos próximos anos".
Outra análise do acadêmico gira em torno do crescimento do mercado de construção comercial para os próximos anos "Veremos grandes players estrangeiros no segmento de restaurantes e varejo que abrirão suas primeiras unidades no Brasil, muito em função de oportunidade, mas também em função da crise."
Vacância
Exemplo da boa oportunidade para as empresas focadas em construção comercial foi revelado esta semana através de um estudo da Colliers International Brasil. De acordo com os números da consultoria, a cidade de São Paulo teve a menor taxa de vacância (desocupação) do mundo no segundo trimestre de 2011 em escritórios corporativos de classes A e A+: apenas 0,8%.
A pesquisa analisou dez regiões nobres da cidade que têm escritórios corporativos. No mesmo período do ano passado a taxa foi de 5,7%, com queda de 86%.
A taxa de vacância paulistana é mais baixa que a de Londres (5%), Rio de Janeiro (4,6%), Hong Kong (3,1%), Genebra (2,5%) e Lima (2,3%). Devido à alta taxa de ocupação, os valores médios de locação sofreram reajuste de 6,7% no segundo trimestre de 2011 em relação ao trimestre anterior.
Veículo: DCI