Descontos nas coleções outono-inverno e material escolar impulsionaram vendas à vista
As vendas do varejo paulistano, em janeiro, foram impulsionadas pelas liquidações antecipadas do setor de vestuário e, especialmente nos últimos dias do mês, pelas aquisições associadas ao movimento de volta às aulas. O reflexo mais marcante das demandas aparece no crescimento de 6,3% das vendas à vista, frente a igual período de 2010. Na mesma base comparativa, as transações a prazo saltaram 2,7%.
Os indicadores foram divulgados ontem pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (IEGV/ACSP), com base em amostra de dados de clientes da Boa Vista Serviços (BVS), administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). A empresa informou, que a partir de janeiro, esses indicadores ganham nova denominação (confira as mudanças no quadro abaixo).
Otimismo — "Acreditamos que a continuidade da queda dos juros e a recente redução do IPI, deverão ajudar a atividade econômica nos próximos meses", declarou Rogério Amato, presidente da ACSP, e também da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).
O economista do IEGV, Emílio Alfieri, analisa que a movimentação do comércio paulistano em janeiro (ante igual mês de 2011) é considerado normal, quando se leva em consideração os efeitos da crise internacional e "a base ainda alta" de comparação. O especialista analisa ainda que o IMC (Indicador de Movimento do Comércio a Prazo), que ficou em 2,7%, indica uma gradativa recuperação desta modalidade, levando-se em conta que em outubro do ano passado ela cresceu 0,5% (ante o mês anterior), em novembro, teve alta de 1,1% e, por último, no mês de dezembro, subiu 1,7%.
Na comparação de janeiro ante dezembro de 2011, as quedas acentuadas na movimentação de compras a prazo e à vista (de 24,7% e 43,6%, respectivamente) refletem a sazonalidade normal para o período. Além das férias escolares e de verão, que estimulam o consumidor paulistano a deixar a cidade, existe a base alta de comparação, provocada pelas movimentação de Natal.
Inadimplência No caso das dívidas com pagamento em atraso houve, no primeiro mês de 2012 (ante igual período de 2011), um crescimento de 13,5% no Indicador de Registro de Inadimplentes (IRI) e salto um pouco menor, de 11,9%, no Indicador de Recuperação de Crédito (IRC).
Alfieri analisa, a propósito do crescimento maior entre os novos registros (13,5%), que o consumidor se ressente da concentração de despesas no início do ano. O economista ressalva ainda que os indicadores de inadimplência de janeiro (na comparação com dezembro de 2011), ainda que subindo, não causam grande preocupação. "Não há uma variação significativa em relação aos últimos últimos doze meses, e os indicadores de desemprego permanecem em queda. Com emprego, é sempre possível renegociar a dívida", argumentou.
Indicadores são alterados
Os indicadores da movimentação do comércio na capital paulista, do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), passam a ter nova denominação e novo formato de apresentação a partir de janeiro de 2012. O objetivo, de acordo com a instituição, "é refletir melhor sua finalidade", além de possibilitar sua comparação com outros indicadores em desenvolvimento na Boa Vista Serviços. Confira abaixo as novas denominações:
IMC – Indicador de Movimento do Comércio a Prazo (antes denominado Serviço Central de Proteção ao Crédito, o SCPC);
ICH – Indicador de Movimento de Cheques (o SCPC/Cheque, parâmetro das compras à vista);
IRI – Indicador de Registro de Inadimplentes (anteriormente denominado Registros Recebidos);
IRC – Indicador de Recuperação de Crédito (Registros Cancelados).
De acordo com o IEGV, "como as fontes e a metodologia não foram alteradas, mas apenas a denominação e a forma de apresentação, esses indicadores permitem a comparação com os dados divulgados anteriormente, assegurando que se mantenha a série ao longo do tempo".
Veículo: Diário do Comércio - SP