Mesmo no turbilhão financeiro, há investidores estrangeiros atentos a oportunidades na área imobiliária. A Bracor está investindo R$ 500 milhões em um centro empresarial vizinho do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). Entre seus sócios estão o megainvestidor americano Sam Zell e a família real de Abu Dhabi. Será o maior aporte da empresa em um único projeto desde que sua criação, há dois anos e meio.
A Bracor adquiriu um terreno de um milhão de metros quadrados, mas não revela quanto pagou. Os R$ 500 milhões representam o investimento total previsto para o projeto. A negociação para a compra começou este ano e foi fechada há cerca de um mês - já dentro do cenário de crise financeira, quando os preços dos ativos começaram a ceder. Carlos Betancourt, presidente da Bracor, afirma, porém, que os termos da negociação não mudaram em função da crise.
Os valores envolvidos no negócio indicam que os investidores estrangeiros estão atentos ao país. Vários fundos de private equity estrangeiros, como Colony Capital, JER Latin America, Och-Ziff, Paladin e Carlyle estão em busca de oportunidades no Brasil. Há um mês, o próprio Sam Zell - que também está na BR Malls e AGV Logística - aumentou sua participação na Gafisa de 13,7% para 18,7%, com um investimento de cerca de US$ 50 milhões.
Na Bracor, além de Sam Zell e da família de Abu Dhabi, também são acionistas o banco Morgan Stanley; o grupo Olayan, da Arábia Saudita; e a seguradora americana Berkley. "São acionistas de longo prazo, que estão olhando além da crise e não têm data para sair", afirma Betancourt. "Por conta da localização e das condições do terreno, esse é um negócio estratégico para nós."
A idéia é construir vários galpões, centros de distribuição e prédios de escritórios (de, no máximo, quatro andares), além de um hotel - a Bracor já está em negociação avançada com uma bandeira. A maioria das construções deve ser feita no modelo "build-to-suit", quando o imóvel é feito sob medida para a empresa que irá alugá-lo. "Já estamos conversando com empresas interessadas", afirma Betancourt. A Bracor pretende reunir cerca de 20 empresas no local, com contratos de locação entre 10 e 15 anos.
Ainda que o "build-to-suit" seja predominante, o empreendimento começa com um inquilino em uma área que já estava construída e está passando por algumas adaptações. A fabricante de tratores John Deere vai ocupar uma área de 40 mil metros quadrados, onde fará um centro de distribuição de peças. A empresa tem sede em Horizontina, no Rio Grande do Sul.
Viracopos é considerado um aeroporto estratégico. O governo Lula já anunciou que pretende aplicar o regime de concessão ao aeroporto, que continuaria a ser da União, mas gestão privada. Com acesso às rodovias Bandeirantes, Anhangüera e Santos Dumont, o aeroporto está na segunda fase de um plano diretor que pretende alçá-lo ao posto de principal centro de cargas da América Latina. No ano passado, foram transportados 1 milhão de passageiros (menos de 1% do total no Brasil) e 238 mil toneladas de cargas (18% do total).
Atualmente, a Bracor tem um portfólio de US$ 1 bilhão e inquilinos como IBM, AmBev, Petrobras e BT (ex-British Telecom). O centro industrial de Viracopos está sendo feito pela Brapark, um braço criado especialmente para este tipo de projeto. A companhia já tem terrenos de grande porte na Imigrantes, Manaus e no Irajá, no Rio.
A concorrência no segmento está crescendo. Antes da crise, havia uma série de empresas anunciando investimentos em centros logísticos e industriais, como Racional, que criou uma divisão específica para o setor; Hines; CCP, braço comercial da Cyrela; e W Torre.
Veículo: Valor Econômico